O último dos românticos - Floratta Red d'O Boticário - Resenha



As estações do ano são sempre as bússolas das marcas para orientar suas criações. Quando vem a primavera multiplicam-se os florais, os flankers levinhos – l’eau, thé, legère e afins. No verão frutais tropicais e brilhantes, limões aos quilos, maracujás e bebidas geladas. No inverno tudo fica intenso, pesado, denso. Elixires, parfums e extraits carregados de especiarias, fumaças e incensos. Agora o outono, ah, o suave outono. As frutas maduras e a melancolia romântica, suspiros apaixonados dignos de John Keats – o último dos românticos – como bem traduz em sua maravilhosa Ode ao Outono:

“Estação de neblinas, doce e fecunda!
Companheira íntima do sol, com ele vais,
Quando ele abençoa e inunda
De frutos as videiras junto dos beirais”

Quem espera do próximo Floratta Red um bouquet floral, antecipo que não é isso que irá encontrar. Testando pela amostra (beijos Maiarinha!!!) a abertura é mais para verde frutada do que necessariamente floral, um toque de folhas, groselhas, maçã (aquela mais miúda e azedinha) e algo ardidinho - pimenta rosa talvez? Ao passar na pele logo perde esta cara adstringente e passa ao frutal com floral mais cremoso. Maçã bem madura, da casca vermelha, que faz aquele som oco quando bate. Sementes de romã, jasmins, tuberosas e lírios cremosos, além de flor de macieira – sim, me lembrou um pouco o Floratta Cerejeira em Pétalas, já descontinuado, que levava as mesmas maçãs e flor de cerejeira, mas com uma dose de pera suculenta, que aqui cedeu espaço a algo da romã. Ao assentar na pele manteve a alma Floratta (que também é a cara d’O Boticário) com o trio Cedro, Sândalo e Almíscar, com um toque muito leve de cacau, que o finaliza levemente adocicado, mas não necessariamente gourmand.
Já que toda a proposta se sustenta na maçã – frasco, estação e construção – é de se pensar para os próximos dias que vão aos poucos encurtando e esfriando. Projeção média na primeira hora e meia, fixação de quatro horas, rente à pele (é classificado pela marca como deocolônia). 

“Pra vergar de maçãs a musgosa macieira
E a fruta por inteiro tornar madura
Pra inflar as abóboras, pra avelã ficar gorda
Com uma doce amêndoa; há flores com fartura”





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