O ano do Dragão - Le Basier du Dragon de Cartier EDP - Resenha

O Dragão é uma figura mitológica reverenciadíssima na China. Representa a bondade, a generosidade, a abundância e a cortesia. Ao Dragão reservam-se rituais, incensos e agrados, costume este considerado curioso quando das incursões coloniais inglesas na Ásia. Le Basier du Dragon não é necessariamente um artefato autêntico chinês, está mais para uma peça de chinoiserie, que seleciona os elementos do extremo oriente segundo seu gosto e o transforma em figuras fantásticas e extravagantes conforme um imaginário tipicamente europeu. Como os biombos, estamparias e caixinhas de laca, que repousavam em bibliotecas e vestíbulos das mansões enriquecidas da Era Vitoriana - cujos proprietários provavelmente obtinham enormes lucros com o comércio oriental do chá. 
Sua abertura é medicinal, amarga e alcoólica como os preparados fortificantes receitados pelos médicos experimentados, que cuidavam da saúde dos aristocratas. Tem amêndoa crua, gardênias narcóticas e um bitter de licor. Ganha ares enfumaçados, secos, incensados e macios, graças a uma magistral união de cedro almiscarado e pomada de íris, que arredonda o meio da evolução da fragrância. Ao final, fica um amadeirado levemente caramelado, com traços de benjoim, e algo de cacau em pó, escuro, misterioso, mas ainda assim muito refinado e nobre.
A projeção é comedida, mas a duração extensa, permanecendo rente à pele por umas sete horas, tranquilamente. 



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