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Mostrando postagens de Março, 2019

O ano do Dragão - Le Basier du Dragon de Cartier EDP - Resenha

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O Dragão é uma figura mitológica reverenciadíssima na China. Representa a bondade, a generosidade, a abundância e a cortesia. Ao Dragão reservam-se rituais, incensos e agrados, costume este considerado curioso quando das incursões coloniais inglesas na Ásia. Le Basier du Dragon não é necessariamente um artefato autêntico chinês, está mais para uma peça de chinoiserie, que seleciona os elementos do extremo oriente segundo seu gosto e o transforma em figuras fantásticas e extravagantes conforme um imaginário tipicamente europeu. Como os biombos, estamparias e caixinhas de laca, que repousavam em bibliotecas e vestíbulos das mansões enriquecidas da Era Vitoriana - cujos proprietários provavelmente obtinham enormes lucros com o comércio oriental do chá.  Sua abertura é medicinal, amarga e alcoólica como os preparados fortificantes receitados pelos médicos experimentados, que cuidavam da saúde dos aristocratas. Tem amêndoa crua, gardênias narcóticas e um bitter de licor. Ganha ares enfuma…

The fuel for fury - Diesel Fuel for Life Femme EDP - Resenha

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Ah, esse meu chypre 'jaqueta jeans'... Apimentado e encorpado, que dá uma dose de ousadia corajosa, um quê boyish que adoro adicionar ao meu visual pixie quando bate um atrevimento. É um sexy meio arredio, e simultaneamente seguro, cheio de si. Meio a cara da Imperatriz Furiosa de Mad Max Estrada da Fúria, que mesmo em meio a toda escuridão de uma camada de graxa e poeira brilham olhos cristalinos, sendo bonito por ser arisco. Não é aquele chypre madame "Eau de Soir", é chypre que beira o unissex, com madeira e noz-moscada que fazem um duelo quente/frio com o patchouli e vetiver bem raiz, em sua face mais fresh. Fixa e projeta como poucos, coisa 8h, que volta e meia reaparece em flashes perfumados.



Subo no meu palco, minha alma cheira talco - Narciso Poudrée EDP - Narciso Rodriguez - Resenha

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Sou professora, esse é meu primeiro ofício, o maior de todos. Tem uma alma de jurista, tem uma faceta de perfumista, mas antes de mais nada sou professora. Raras foram as vezes que usei quadro branco, flip chart, e tenho pavor de apresentações em Power Point. Sou old school, ou como meu para sempre mentor e orientador me disse: "seu negócio é 'cuspe e giz'". Amo a lousa, encho o quadro, e ao final da aula lá está ele, cheio de rabiscos, setas e sublinhados, uma obra digna de Kandinsky. Minhas mãos estarão brancas, ombros e cabelos cheios da fina poeira, a roupa foi ganhando uma estampa personalizada ao longo da exposição. É o momento de um pequeno show, de atrair a atenção das jovens mentes inquietas, de competir uma luta desleal contra seus smartphones. É um palco, hora de passar o conteúdo preparado antes, por horas a fio, entre leituras, anotações e pesquisas. Como um roteiro escrito para uma peça, um teatro que leva a intangível teoria para a familiaridade da pr…

O último dos românticos - Floratta Red d'O Boticário - Resenha

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As estações do ano são sempre as bússolas das marcas para orientar suas criações. Quando vem a primavera multiplicam-se os florais, os flankers levinhos – l’eau, thé, legère e afins. No verão frutais tropicais e brilhantes, limões aos quilos, maracujás e bebidas geladas. No inverno tudo fica intenso, pesado, denso. Elixires, parfums e extraits carregados de especiarias, fumaças e incensos. Agora o outono, ah, o suave outono. As frutas maduras e a melancolia romântica, suspiros apaixonados dignos de John Keats – o último dos românticos – como bem traduz em sua maravilhosa Ode ao Outono:
“Estação de neblinas, doce e fecunda! Companheira íntima do sol, com ele vais, Quando ele abençoa e inunda De frutos as videiras junto dos beirais”
Quem espera do próximo Floratta Red um bouquet floral, antecipo que não é isso que irá encontrar. Testando pela amostra (beijos Maiarinha!!!) a abertura é mais para verde frutada do que necessariamente floral, um toque de folhas, groselhas, maçã (aquela mais miúd…