Dolce far niente - Acqua di Parma Blu Mediterraneo Mandorlo di Sicilia - Resenha

Esse é um querido do coração, a amêndoa mais curiosa e aveludada que conheci, com a impressão da amêndoa ainda crua, sem a crocância de torradinha, uma amêndoa com casca e tudo. Acqua di Parma Mandorlo di Sicilia, da coleção Blu Mediterraneo, tem toda a riqueza low profile da casa, uma riqueza sem etiquetas, que usa roupas de linho e se esconde em recônditos paradisíacos ao invés de buscar incessantemente holofotes. É uma fragrância refinada, mas rente à pele, gourmand, mas não pegajosa, delicada e ao mesmo tempo marcante. São as lições de um livro de etiqueta para bons anfitriões: seja uma presença tão agradável que todos façam questão de tê-lo por perto.
Como os bons amarettos italianos, é um doce bitter, com toques mentolados de anis e cascas de laranja, que enaltecem a amêndoa em seu aspecto oleoso, em um caminho balsâmico. Como o óleo que pinga lentamente, em gotas grossas e brilhantes. O anis é tempero para doces, que coloca uma dose de amargor e flashes picantes, e nesse caso, faz uma ponta adstringente para os acordes que o seguem: as frutas. Bem maduras, quase que com doçura de frutas cristalizadas, pêssegos do sul (aquele mais branquinho, com perfume menos doce, que na Argentina e Uruguai chamam durazno) e no conjunto vai me remetendo aos torrones natalinos, que têm amêndoas e frutas envoltas naquele doce marzipan abaunilhado. Ao final, algo que me lembrou um pouco um acorde emborrachado, mas de látex em seiva, viscoso, e o doce da baunilha bourbon, querida dos confeiteiros. Novamente, uma impressão cremosa/untuosa, que convida ao relaxamento e ao 'dolce far niente'. 


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