segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Abraça-me com ternura - Kenzo Amour EDP - Resenha

Hoje me dei conta que nunca falei desse lindo, e olha que está no meu top 5! Como assim? Como fui esquecer esse travesseirinho, esse aconchego adocicado? 
Kenzo Amour é macio, sem nenhuma aresta. Morninho. É um tacho de arroz-doce apurando no fogo de lenha, carinho de vovó que mima. Uma criação tão singular, tão sem par. 
Tem uma abertura empoada de arroz - isso mesmo, arroz! - chá e algo lactônico e cremoso, que apesar de ter doçura, traz mais uma sensação de cremosidade, de sabor suave e levemente condimentado, como canela fervida ou uma pitada de noz-moscada. 
No corpo, possui a nobreza de flores brancas, igualmente untuosas, amanteigadas - pluméria, sakura e acácias - e encerra na secagem com nobres madeiras incensadas, baunilha, musc e notas atalcadas, uma nuvem de talco sequinho e empoado. É de uma nobreza, uma distinção... uma das fragrâncias que me desperta as melhores sensações, que não é incômoda, não é invasiva, é um verdadeiro abraço carinhoso, um afago. 
É um EDP, mas sem grandes arroubos de projeção, já que sua proposta é intimista. Porém, tem uma duração muito longeva, rente à pele e comedida. Um conforto especial, com a criatividade que as fragrâncias Kenzo sempre trazem, não sendo óbvio, mas ao mesmo tempo não gritando por atenção. O frasco belíssimo de autoria de Karim Rashid é uma criação digna de museus de arte contemporânea, que vale a pena ostentar na prateleira. 



Imagem: kenzoparfums.com

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