segunda-feira, 31 de julho de 2017

Hay que endurecerse, pero sin perder el perfume jamás - Habana 1791

Após um longo período de ostracismo, me dedicando a full em um projeto pessoal - que graças à Energia Superior se concretizou - eis que volto. Depois de uma viagem incrível, interna e externamente. Depois de uma outra viagem incrível, à ilha que virou mito e alimenta muitas lendas. Cá estou novamente, neste espacinho que para mim representa uma terapia. 

"Oie!"
"Oigo!" 
Assim começam as conversas em Cuba. Não pretendo me alongar em discussões político-ideológicas. Me atenho a comentar é que é um lugar fascinante. Somente sentindo, vendo com os próprios olhos, andando pelas ruas e praças coloniais de Habana Vieja, provando "moros y cristianos" em algum Paladar, vendo o sol se pôr na brisa do Malecón ao rugido das "máquinas" ao fundo. Flutuando no mar esmeralda de Varadero. Andando de cocotaxi escutando do próprio povo sua versão dos fatos. Apreciando o verdadeiro mojito, com direito à discussão se admite ou não angostura na receita. 
Se te disserem "Vá para Cuba", recomendo que obedeça.


Foi a oportunidade de conhecer, na Calle Mercaderes a Habana 1791. Que preciosidade! Quando cheguei, estava quase fechando, mas, por sorte, consegui encontrá-la de portas abertas a tempo. Um casarão antigo, decorado ao estilo art nouveau, repleto de garrafinhas e aromas. Ali é possível montar uma combinação personalizada de essências e criar sua fragrância. Escolhi criar duas combinações (tive que me impor um limite, até porque não teria como levar vários volumes líquidos na bagagem!) que me agradaram muito em qualidade.


A primeira foi uma combinação floral herbácea, com rosa, lavanda, vetiver e uma acorde fantasia denominado felicidad. A nota de rosa é bastante proeminente, e ganha frescor e um toque picante/adstingente graças à lavanda quase masculina. Durante a secagem, vai ganhando aspecto polvoroso e assabonetado, de muita limpeza, como os perfumes clássicos das décadas de 1940/1950. Algo de L'Air du Temps e sua rosa de sabonete fino de toucador. Vai ser companhia certa na primavera.




A segunda, para celebrar o inverno, foi uma combinação mais quente, com tabaco, chocolate amargo, âmbar, patchouli e o acorde fantasia dulce habana. Resultou em um aroma alcoólico, grande, enfumaçado e cheio de contornos, meio caramelado. Lânguido, projeta como a fumaça dos charutos que sobe em espirais cinza-claras. Permanece rente à pele como licor de chocolate, com um patchouli terroso e vivo. Fiquei contente com as minhas combinações.




Os frascos são charmosinhos, como artigos de botica, de vidro escuro. Infelizmente vazou um pouco durante a viagem, embora acondicionados e transportados com todo o cuidado possível, e o rótulo manchou e ficou borrado. Mas nada que tire minha alegria ao desfrutar das minhas fragrâncias escolhidas a dedo. Estou encantada com tudo, extasiada até agora.



É uma viagem sensorial, que merece ser desfrutada com todos os sentidos alertas, com a mente aberta às experiências diferentes de vida e de história. Foram dias inesquecíveis, que certamente vou guardar com toda reverência. Cuba é uma porção de contrastes, cercada de mitos por todos os lados.

"Oie!"
"Oigo!" 



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