quinta-feira, 19 de maio de 2016

Eterna primavera - Esta Flor Íris e Esta Flor Rosa de Natura - Resenha dupla

Perfumaria nacional dando as caras novamente. A Natura, por Verônica Kato, traz a tendência 'solinote' em duas construções belas e bem feitas: Esta Flor Íris e Esta Flor Rosa.

O primeiro, uma leitura da mais malandra das flores, a Íris, que pode passar tanto impressão de secura atalcada quanto de umidade de raiz. Aqui, trabalhada no segundo caminho, de leve frescor de natureza, limpeza, banho de riacho, beirando o aroma verde que o mercado brasileiro associa ao universo masculino - avivado com doses patchouli. Uma dose de limão e vetiver são responsáveis por esta face unisex e cristalina, que evoca uma sensação de elegância sutil e otimista. 
O segundo, uma rosa pura e crocante, orvalhada, jovem. A leve doçura de frutas geladas, citrinos brilhantes e pétalas delicadas de flores primaveris: peônias, violetas e amores-perfeitos. Um amanhecer de flores desabrochando, entre botões e caules verdes, evoluindo a um amadeirado leve e confortável. Ambos femininos, mas uma feminilidade segura e tranquila, de quem já aprendeu a apreciar a própria companhia e prioriza agradar a si ao invés de agradar o outro. É um deleite rente à pele, remansado, com projeção muito bem calculada e duração razoável (é classificado como deo-parfum). Belo frasco, belas cores, muito embora o preço - para o contexto nacional - possa assustar.
Imagem: natura.com


Me despedindo, com um empréstimo de Castro Alves, elogio a beleza desta dupla:

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Agora fiquei doce, doce, doce... - Pink Sugar EDT de Aquolina - Resenha

Entre entusiastas e inimigos do frio, fico no segundo time. Sofro demais nessa estação: tesa, encolhida e encasacada, aguardo com paciência para que o Sol volte em sua potência. Porém, nem tudo é tristeza e sofrência, o frio dá a possibilidade de usar o Pink Sugar sem medo. Somente no frio ele revela sua melhor face, que, assim como um bom chocolate quente, no verão perde toda sua delícia e pode se tornar um verdadeiro pavor. 
Aquolina entende de doce - toda linha 'sugar' consegue captar uma face gustativa deliciosamente especial, ora mais cremosa, ora vítrea caramelada, ora chocolate crocante. Pink Sugar tem o aroma da máquina de algodão doce em funcionamento, derretendo o açúcar e construindo um sem fim de fios, um aglomerado de delícia, um caramelo fino, fino, que estica até virar fio e se reunir em nuvem de doçura. Egeo Dolce bebeu dessa fonte, mas adicionou doses enormes de framboesa. Pink Sugar é caramelo puro, inclusive o aroma 'queimadinho', um enfumaçado transparente que mesclado ao doce traz calor e curiosidade. Isso o deixa menos sticky, menos grudento. 
Sua evolução - sim, um doce que evolui, veja só! - o leva para uma cremosidade de doce de leite uruguaio/argentino, bem escurinho, quase bala toffee (o sândalo leitoso o deixa assim) com alcaçuz, na doçura ao estilo Lolita Lempicka, de bengalinhas listradinhas típicas do Natal. Somente no frio esse doce todo faz sentido, traz conforto... então guarde-o para aqueles dias de tempo sisudo, casacos pesados e cachecóis enrolados. 


Imagem: aquolina.it