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Mostrando postagens de 2016

Closing time - Close de GAP EDT - Resenha

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Que lindeza! Perto. Fique perto, assim, pertinho, de conchinha. Perto como nenhum aplicativo é capaz de deixar, como nenhum facetime permite. Perto.  'Closing time, open all the doors' - Close tem cheirinho de creme aveludado pós banho, com um toque de pele morna, quase salgado. Tem cheiro de camiseta do(a) amado(a).  Levemente amendoado e cremoso, mas ao mesmo tempo limpo e almiscarado. Aquático, floral - pode isso? Uma sinfonia baixinha, intimista, bem equilibrada e nada monótona. Uma gota translúcida escorrendo na pele. Perto, muito perto. 
'I know who I want to take me home.' Levá-lo para casa é fácil, uma borrifadinha e a paixão acontece, como o olhar que se cruza no inusitado, na fila do cinema, no(a) colega de aula novato(a). E não haverá arrependimentos, apenas momentos de ternura e proximidade. Quase cândido, mas tão humano.
 Duração de 6 horas, o que para EDT é considerável, mas sempre de pertinho. Querer rastro nessas circunstâncias seria absoluta tolice, para…

Sussuros e arrepios - Untold EDP de Elizabeth Arden - Resenha

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Belo e elegante, embora não tanto criativo. É uma construção boa - como Beth sabe fazer - e é muito fácil de agradar. É sussurro, segredo, algo velado, mas não necessariamente misterioso. Untold é curinga, vale a pena ter no armário - e em tempos de crise ele tem um preço bem amigo. Abre com um jasmim amplo, abacaxi e cítricos adocicados. Caminha entre sumo de frutas vermelhas sour, e tem em seu coração peras maduras e flores brancas untuosas, com cremosidade. Fundo morninho, com patchouli e notas ambarinas. Tem uma pontinha do aroma caloroso, algo de protetor solar, meio cosmético, no meio desse doce floral/frutal, que impede a monotonia. 
Imagem: elizabetharden.com

O frasco é muito bonito, elegante e romântico, um coração de cristal facetado. Boa proposta para mulheres jovens e modernas, mas que guardam uma faceta romântica em sua personalidade. Já o tenho há três anos, e ainda não havia falado dele, veja só! Duração de cerca de 5/6 horas, projeção controlada e de presença agradável.

Sofisticada simplicidade - Lavanda e Algodão de Mahogany - Resenha

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Este é um dos meus perfumes conforto. Meu e só meu. Não é para deixar rastro, é bem egoistinha da minha parte: quero essa ternura empoada só para mim, aqui pertinho...  É curiosa a tendência do conceito olfativo do algodão. A linha Natura Tododia tem uma proposta assim, GAP tem seu Washed Cotton #784, Korres Pure Cotton, Mary Kay Simply Cotton... Alguns vão pelo caminho da roupa lavada, mais ou menos almiscarado, outros para a fofura e a secura, como a impressão do algodão em tufos, branco e fofinho. Lavanda e Algodão da Mahogany segue uma trilha levemente diferente e, para mim, mais interessante. Pega a secura do campo de algodão - como aquelas infindáveis 'plantations' sulistas americanas - e a secura da lavanda colhida, perdendo a cor aos poucos. É mais empoado, sem aquela lavanda adstringente picante, é morninha, atalcada.  Absolutamente compartilhável, pegue e use, sem rótulos de gênero específico para o cheiro bom. Sândalo, madeira que traz calor, vetiver em palha e o almí…

Take a chance on me! - Chance de Chanel EDP - Resenha

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"If you change your mind, I'm first in line" - resenha na pegada do clássico do ABBA (adoro, me julguem!), da época dos casacos de pele, macacões de jersey e sandálias plataformas. Uma fragrância jovem, mas vintage - tem como? Chanel Chance na versão EDP tem flores brancas, um atalcado 'push', frutal sour. Como uma noite disco dos late 70's, é diversão para jovens adultas. Um almiscarado fora do óbvio, pontilhado por polvorosa pimenta e baunilha em fava, que ganha curvas, calor e vivacidade com patchouli. Me lembrou a Sydney, personagem de Amy Adams do divertido filme Trapaça, e seus figurinos, cabelos volumosos, elegantes e na moda. 
Imagem: http://lavestuarista.com.br/

Chance tem tino comercial, tem público alvo bem direcionado e proposta estética esperta. 

Imagem: chanel.com/pt_BR

"Honey I'm still free, take a chance on me" - Se joga na pista, baby!

Na luz âmbar da tarde - L'Instant de Guerlain EDP - Resenha

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A hora do ocaso, em que o céu se tinge de tons cálidos, alaranjados, ambarinos. O momento de parar e contabilizar o saldo do dia, entre ganhos, perdas, estafa, encontros e desencontros. A hora de livrar-se de roupas e sapatos incômodos, meias-calças e camisas que amarrotam. A hora de ser você, absorta em pensamentos, desacelerando com a tarde que cai.  No inverno a luz é âmbar. Diferentemente do verão e seus pores do sol sanguíneos, rapsódia de nuvens róseas e violáceas, o crepúsculo invernal é mais rápido, mais dourado. O vento gelado leva embora todo traço de nuvem, e, sólido, o céu cintila os primeiros pontos de estrelas frias.  Hora de aninhar-se em manta de cashmere, de saborear amêndoas à beira da lareira, aquecer-se com chá adoçado com especiarias e mel. Instante mágico e íntimo, um pequeno agrado para se presentear.  L'Instant é dessas obras com todo o DNA Guerlain: bela, bem feita, completa. Um oriental morno, almiscarado, aquecido por amêndoas, mel e benjoim. O toque empoad…

Eterna primavera - Esta Flor Íris e Esta Flor Rosa de Natura - Resenha dupla

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Perfumaria nacional dando as caras novamente. A Natura, por Verônica Kato, traz a tendência 'solinote' em duas construções belas e bem feitas: Esta Flor Íris e Esta Flor Rosa.
O primeiro, uma leitura da mais malandra das flores, a Íris, que pode passar tanto impressão de secura atalcada quanto de umidade de raiz. Aqui, trabalhada no segundo caminho, de leve frescor de natureza, limpeza, banho de riacho, beirando o aroma verde que o mercado brasileiro associa ao universo masculino - avivado com doses patchouli. Uma dose de limão e vetiver são responsáveis por esta face unisex e cristalina, que evoca uma sensação de elegância sutil e otimista.  O segundo, uma rosa pura e crocante, orvalhada, jovem. A leve doçura de frutas geladas, citrinos brilhantes e pétalas delicadas de flores primaveris: peônias, violetas e amores-perfeitos. Um amanhecer de flores desabrochando, entre botões e caules verdes, evoluindo a um amadeirado leve e confortável. Ambos femininos, mas uma feminilidade se…

Agora fiquei doce, doce, doce... - Pink Sugar EDT de Aquolina - Resenha

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Entre entusiastas e inimigos do frio, fico no segundo time. Sofro demais nessa estação: tesa, encolhida e encasacada, aguardo com paciência para que o Sol volte em sua potência. Porém, nem tudo é tristeza e sofrência, o frio dá a possibilidade de usar o Pink Sugar sem medo. Somente no frio ele revela sua melhor face, que, assim como um bom chocolate quente, no verão perde toda sua delícia e pode se tornar um verdadeiro pavor.  Aquolina entende de doce - toda linha 'sugar' consegue captar uma face gustativa deliciosamente especial, ora mais cremosa, ora vítrea caramelada, ora chocolate crocante. Pink Sugar tem o aroma da máquina de algodão doce em funcionamento, derretendo o açúcar e construindo um sem fim de fios, um aglomerado de delícia, um caramelo fino, fino, que estica até virar fio e se reunir em nuvem de doçura. Egeo Dolce bebeu dessa fonte, mas adicionou doses enormes de framboesa. Pink Sugar é caramelo puro, inclusive o aroma 'queimadinho', um enfumaçado transp…

Entre Odile e Odette - Make B Urban Ballet d'O Boticário - Resenha

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Pára tudo!!! Recebida a novidade em primeiríssima mão, testada antes mesmo do lançamento oficial nas lojas e no catálogo - a fragrância do inverno 2016 da coleção Make B d'O Boticário. Inspirada em tons rosáceos - do rosa cetim das sapatilhas ao carmim das cortinas teatrais - Urban Ballet é uma coleção voltada ao romantismo feminino, com nuances invernais belas e dramáticas.  O frasco segue as linhas das sucessivas coleções Make B, o formato de sempre e o cristal Swarovski na cor rosa estão lá, em um tom pálido muito bonito. As fitas, sapatilhas e amarrações típicas dos figurinos das bailarinas e seus coques alinhados, o esforço máximo que resulta em delicadeza de sílfide, compõem o caráter de uma fragrância bem trabalhada, entre o doce e o misterioso. Como boa parte do portfólio Botica, é uma deocolônia, e descrita como a fusão de flores transparentes e tulipa negra. Levando para o lado sensorial, percebo uma abertura realmente floral, mas algo que remeteu às mimosas - alguém lembr…

Ela não anda, ela desfila - 212 VIP Rosé de Carolina Herrera (EDP) - Resenha

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Como eu falei do Jardin de Roses da Mahogany esses dias, vamos falar do 'primo rico' do time das champagnes... 212 VIP Rosé, que como toda criação Carolina Herrera tem um toque de Midas, seja pela qualidade (mas nem sempre) ou pelo marketing massivo e esperto (aí sim, sempre!).  O Rosé do nome é autoexplicativo: a bebida doce e badalada, das festas VIP e seus camarotes, nomes na lista, carrões, entre belas e bem nascidos - algo entre distinção e ostentação que é a tônica atual da diversão.  Um ponche de frutas - pêssegos, maçãs, uvas maduras e morangos - mergulhadas em vinho rosado e adocicado. Esperava mais 'fizz', mais borbulhas... e na verdade encontrei mais suco e dulçor de vinho branco de colheita tardia, do que necessariamente a acidez leve da champagne. Mas ainda assim é bom, tem uma presença interessante - um pouco alcoólica, de pilequinho mesmo, naquele momento em que a fala fica arrastada e o riso fácil... - tudo é festa, momento para rir com as amigas, fazer c…

Pelo espelho - Narciso Rodriguez Essence Eau de Musc EDT - Resenha

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"O melhor espelho é um velho amigo" já disse George Herbet. Essence Eau de Musc é um grande amigo. Sabe como chegar, e a hora certa. Não adianta ou atrasa, não faz perguntas inoportunas, e, em dias difíceis fica próximo, e em silêncio, como só um bom amigo sabe fazer, na sabedoria de silenciar. Um almíscar muito limpo, com o aspecto seco da íris, algo levemente empoado, pacífico. É confortável como casaco recém saído da secadora de roupas, como toalha macia.  O frasco espelhado é uma lindeza, lembra o espelho do banheiro embaçado com o vaporzinho morno pós-banho. Unanimidade no quesito "cheirinho limpo", algo de creme neutro, sabonete... É a leveza de querer ficar consigo mesmo, num mundinho particular, pois não projeta, é muito rente à pele, com um morninho ambarado leve e aconchegante. Manta e fim de tarde, Netflix and chill. Uma fragrância adulta, sincera e confortável, office-scent sem medo - não incomoda você e não incomadará a baia ao lado, nem cliente, nem …

Dia de luz, festa do sol - Omnia Paraiba EDT de Bvlgari - Resenha

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A Turmalina Paraíba é uma das mais caras gemas do mundo. A cor é incrível, um verde azulado / azul esverdeado que não há Pantone que a reproduza com fidelidade. Qual os olhos de Maysa.  Mas, se uma pedra tão cara como esta exala luxo, o que dizer do tropicalíssimo Omnia Paraiba? Ora, é o luxo tropical revisitado! Quer luxo maior que pouca roupa e um dia de brisa à toa na praia? O luxo não é necessariamente coruscante, o luxo aqui é low profile, bossa nova.  Um frutal refrescante, revigorante, muito natural e envolvente. De cara abre como um acorde de manga meio verde, e maracujá-doce. Gustativo e saboroso, que ao descrevê-lo dá a impressão de ser enjoado, mas não, é fruta bem fresca, aberto e solar. Praia fina, paradisíaca - Bvlgari jamais flertaria com a farofa. Também não é drink, nem protetor solar. É fruta, sacou? Na impressão que me passa é absolutamente linear, não aparece flor, nem o cacau que a marca afirma incluir na pirâmide. Do início ao fim a mesma sensação frutal e confo…

R.S.V.P. - Jardin de Roses de Mahogany - Resenha

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Vou falar de um nacional que me conquistou... Nesse a Mahogany acertou em cheio! Jardin de Roses é uma fragrância festiva, agradável e inventiva. A nota de champagne/espumante trabalhada com um frescor diferenciado e marcante. Diferentemente do 212 Vip Rosé - que usa a nuance de champagne adocicada, mais para uva doce e frutal do que necessariamente no efeito borbulhante da bebida -  Jardin de Roses traduz com muito mais perfeição o delicioso fizz que sobe pela flûte. Rosas brancas, na leveza de pétalas orvalhadas e muito frescas, contribuem em uma elegância jovem e coquete, vaporosa como saias rodadas de vestidos de organza. É um solário cheio de rosas, jasmins recém abertos, folhinhas verdes. Uma festa à tarde, onde serve-se champagne no balde de gelo, frutas em pedacinhos e delicados canapés. Um asseado almíscar constrói a base - a perfumaria brasileira tem uma verdadeira predileção por essa leitura do almíscar - que permanece na aura de juventude. Bastante versátil, agradável e …

This never happened - Encounter de Calvin Klein - Resenha

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This never happened. It will shock you how much it never happened. (Donald Draper)

Vamos falar de perfume masculino, porque a demanda por uma resenha que não fosse exclusivamente feminina tem crescido... E vamos falar de um bonitão. Vamos falar de um perfume que de cara me remete ao Don Draper, àquele clima de Mad Men. Pega a pipoca e dá play (imagina a musiquinha):


- Don sai de casa pela manhã, limpo e imaculado, bem alinhado, barba muito bem feita, cabelos sem um fio fora do lugar. Cheirando a loção pós-barba e pasta de dentes. Pega o fedora, o trench coat e vai à estação. Betty, coitada, nem imagina as milhares de coisas que acontecem no dia do marido, na verdade nem sabe quem é o marido. Encounter é misterioso, é frio... não tem carinho: é bonito, passa uma ótima impressão, paga todas as suas contas, mas tem arestas, é gelado. Não chama para o contato. - Chegando no escritório, para começar bem o dia, uma dose de conhaque. Encounter é alcoólico, boozy. Não é o alcoólico-baladinha, é …

Pass me a bottle, Mr. Jones - Eau de New York EDP de Bond nº 9 - Resenha

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Se você, como eu, passou as preguiçosas tardes da adolescência curtindo MTV e ligando para que seu clipe favorito estivesse no Top 10 (isso, claro, se seu modem dial up 56k não estivesse conectado à linha telefônica), provavelmente você pediu esse clipe do Counting Crows... Eu pedi! 
Novamente, solta o som MyBoy:

Pronto, coloca sua camisa de flanela xadrez e sacode os dreads. Shalalalalala...
Agora nessa pegada dos tempos em que Bill Clinton, Lady Diana e Madre Teresa eram assunto, vamos à resenha propriamente dita. Eau de New York é cool, compartilhável, é um episódio de Friends. Diverte, e não tem como dar errado. Na primeira impressão, maculada pelo apelo comercial típico da perfumaria (que adora associar imediatamente os cítricos aromáticos ao universo masculino), dá um recado que é destinado aos rapazes. Mas não, é para todo mundo - Dá aqui essa garrafa, Mr. Jones! Eu adoro o cheiro de manjericão, e Eau de New York é herbáceo, verdejante e amarguinho. Muitos cítricos: limão, pom…

Verão, sombra, água fresca e meu perfume - Mesa redonda de blogs

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O calor em seu auge, o sol abaixo do trópico em todo o seu potencial. Estação de umidade e chuvas para um lado, ou de secura para o outro. São vários os nossos verões, e são várias as formas de encarar essa estação tão amada por uns, e tão praguejada por outros.  Não é fácil trabalhar nesse calorão, olhando da janela um clima mais que convidativo para uma praia/piscina/cachoeira/banho de mangueira ou o que tiver ao alcance - o mar está a quase 800 km de mim nesse momento! E se a obrigação chama, pelo menos tentamos carregar um pouco do frescor tão almejado.  Agora, se você está de férias, ou nos fins de semana que pode ficar de papo para o ar. Ah, nesses dias o verão se faz valer! Aquele relax mais que merecido, o 'dolce far niente' e a malemolência do calor. Uma bebidinha refrescante, o balançar da rede... e esses perfuminhos aqui:
Cologne France - Molinard Ai que bonita! A maravilha de esparramar colônia com as mãos, sem medo de enjoar. Fresca, cítrica e límpida. Gosto mais …