segunda-feira, 11 de julho de 2016

Closing time - Close de GAP EDT - Resenha

Que lindeza! Perto. Fique perto, assim, pertinho, de conchinha. Perto como nenhum aplicativo é capaz de deixar, como nenhum facetime permite. Perto. 
'Closing time, open all the doors' - Close tem cheirinho de creme aveludado pós banho, com um toque de pele morna, quase salgado. Tem cheiro de camiseta do(a) amado(a). 
Levemente amendoado e cremoso, mas ao mesmo tempo limpo e almiscarado. Aquático, floral - pode isso? Uma sinfonia baixinha, intimista, bem equilibrada e nada monótona. Uma gota translúcida escorrendo na pele. Perto, muito perto. 
'I know who I want to take me home.' Levá-lo para casa é fácil, uma borrifadinha e a paixão acontece, como o olhar que se cruza no inusitado, na fila do cinema, no(a) colega de aula novato(a). E não haverá arrependimentos, apenas momentos de ternura e proximidade. Quase cândido, mas tão humano.
 

 Duração de 6 horas, o que para EDT é considerável, mas sempre de pertinho. Querer rastro nessas circunstâncias seria absoluta tolice, para merecer conhecê-lo é necessário um abraço, precisa estar perto. 
'Closing time, every new beginning, comes from some other beginning's end.' - como a canção fofinha do Semisonic, tem clima de abraços e carinhos.



quarta-feira, 6 de julho de 2016

Sussuros e arrepios - Untold EDP de Elizabeth Arden - Resenha

Belo e elegante, embora não tanto criativo. É uma construção boa - como Beth sabe fazer - e é muito fácil de agradar. É sussurro, segredo, algo velado, mas não necessariamente misterioso. Untold é curinga, vale a pena ter no armário - e em tempos de crise ele tem um preço bem amigo.
Abre com um jasmim amplo, abacaxi e cítricos adocicados. Caminha entre sumo de frutas vermelhas sour, e tem em seu coração peras maduras e flores brancas untuosas, com cremosidade. Fundo morninho, com patchouli e notas ambarinas. Tem uma pontinha do aroma caloroso, algo de protetor solar, meio cosmético, no meio desse doce floral/frutal, que impede a monotonia. 

Imagem: elizabetharden.com


O frasco é muito bonito, elegante e romântico, um coração de cristal facetado. Boa proposta para mulheres jovens e modernas, mas que guardam uma faceta romântica em sua personalidade.
Já o tenho há três anos, e ainda não havia falado dele, veja só! Duração de cerca de 5/6 horas, projeção controlada e de presença agradável.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Sofisticada simplicidade - Lavanda e Algodão de Mahogany - Resenha

Este é um dos meus perfumes conforto. Meu e só meu. Não é para deixar rastro, é bem egoistinha da minha parte: quero essa ternura empoada só para mim, aqui pertinho... 
É curiosa a tendência do conceito olfativo do algodão. A linha Natura Tododia tem uma proposta assim, GAP tem seu Washed Cotton #784, Korres Pure Cotton, Mary Kay Simply Cotton... Alguns vão pelo caminho da roupa lavada, mais ou menos almiscarado, outros para a fofura e a secura, como a impressão do algodão em tufos, branco e fofinho. Lavanda e Algodão da Mahogany segue uma trilha levemente diferente e, para mim, mais interessante. Pega a secura do campo de algodão - como aquelas infindáveis 'plantations' sulistas americanas - e a secura da lavanda colhida, perdendo a cor aos poucos. É mais empoado, sem aquela lavanda adstringente picante, é morninha, atalcada. 
Absolutamente compartilhável, pegue e use, sem rótulos de gênero específico para o cheiro bom. Sândalo, madeira que traz calor, vetiver em palha e o almíscar que dá a carinha 'limpa e fofa' de algodão fecham essa que é a mais 'cozy' das fragrâncias.
É a Sabina de Milan Kundera, em sua Insustentável Leveza do Ser. Amiga das artes, do bom gosto e do refinamento, em seus vínculos que não cobram amor e apenas apreciam o bom momento. A genialidade de Da Vinci, em sua máxima que afirma que "a simplicidade é o último grau de sofisticação". Lavanda e Algodão me embevece da maneira que só o simples é capaz, como criança que olha a corrida de pingos na janela ou a joaninha que pousa no dedo. Para usar com roupa branca, cabelo solto e pés descalços. 



Imagem: mahogany.com.br

terça-feira, 14 de junho de 2016

Take a chance on me! - Chance de Chanel EDP - Resenha

"If you change your mind, I'm first in line" - resenha na pegada do clássico do ABBA (adoro, me julguem!), da época dos casacos de pele, macacões de jersey e sandálias plataformas. Uma fragrância jovem, mas vintage - tem como? Chanel Chance na versão EDP tem flores brancas, um atalcado 'push', frutal sour. Como uma noite disco dos late 70's, é diversão para jovens adultas. Um almiscarado fora do óbvio, pontilhado por polvorosa pimenta e baunilha em fava, que ganha curvas, calor e vivacidade com patchouli. Me lembrou a Sydney, personagem de Amy Adams do divertido filme Trapaça, e seus figurinos, cabelos volumosos, elegantes e na moda. 

Imagem: http://lavestuarista.com.br/


Chance tem tino comercial, tem público alvo bem direcionado e proposta estética esperta. 


Imagem: chanel.com/pt_BR


"Honey I'm still free, take a chance on me" - Se joga na pista, baby!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Na luz âmbar da tarde - L'Instant de Guerlain EDP - Resenha

A hora do ocaso, em que o céu se tinge de tons cálidos, alaranjados, ambarinos. O momento de parar e contabilizar o saldo do dia, entre ganhos, perdas, estafa, encontros e desencontros. A hora de livrar-se de roupas e sapatos incômodos, meias-calças e camisas que amarrotam. A hora de ser você, absorta em pensamentos, desacelerando com a tarde que cai. 
No inverno a luz é âmbar. Diferentemente do verão e seus pores do sol sanguíneos, rapsódia de nuvens róseas e violáceas, o crepúsculo invernal é mais rápido, mais dourado. O vento gelado leva embora todo traço de nuvem, e, sólido, o céu cintila os primeiros pontos de estrelas frias. 
Hora de aninhar-se em manta de cashmere, de saborear amêndoas à beira da lareira, aquecer-se com chá adoçado com especiarias e mel. Instante mágico e íntimo, um pequeno agrado para se presentear. 
L'Instant é dessas obras com todo o DNA Guerlain: bela, bem feita, completa. Um oriental morno, almiscarado, aquecido por amêndoas, mel e benjoim. O toque empoado do inconfundível 'guerlinade', que traz conforto e dosa o dulçor com maestria, deixando-o rente à pele. Abre em alguma fruta madura, mas suave - na pirâmide olfativa consta maçã. Maçãs vermelhas lustras e graúdas, daquelas que ao bater na casca fazem um som oco e abafado, meio granulosas, sem nada de acidez. Um corpo de flores brancas melífluas, suaves e amanteigadas. É um elixir de conforto para dias frios, deleite egoísta, que aparece suavemente em um abraço ou um movimento, para ser compartilhado apenas com quem o merece.
Duração longa - cerca de 9 horas, projeção comedida e rente à pele. Perfuma roupas, casacos e echarpes de maneira encantadora, sendo perfeito para dias frios. 

Imagem: guerlain.com

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Eterna primavera - Esta Flor Íris e Esta Flor Rosa de Natura - Resenha dupla

Perfumaria nacional dando as caras novamente. A Natura, por Verônica Kato, traz a tendência 'solinote' em duas construções belas e bem feitas: Esta Flor Íris e Esta Flor Rosa.

O primeiro, uma leitura da mais malandra das flores, a Íris, que pode passar tanto impressão de secura atalcada quanto de umidade de raiz. Aqui, trabalhada no segundo caminho, de leve frescor de natureza, limpeza, banho de riacho, beirando o aroma verde que o mercado brasileiro associa ao universo masculino - avivado com doses patchouli. Uma dose de limão e vetiver são responsáveis por esta face unisex e cristalina, que evoca uma sensação de elegância sutil e otimista. 
O segundo, uma rosa pura e crocante, orvalhada, jovem. A leve doçura de frutas geladas, citrinos brilhantes e pétalas delicadas de flores primaveris: peônias, violetas e amores-perfeitos. Um amanhecer de flores desabrochando, entre botões e caules verdes, evoluindo a um amadeirado leve e confortável. Ambos femininos, mas uma feminilidade segura e tranquila, de quem já aprendeu a apreciar a própria companhia e prioriza agradar a si ao invés de agradar o outro. É um deleite rente à pele, remansado, com projeção muito bem calculada e duração razoável (é classificado como deo-parfum). Belo frasco, belas cores, muito embora o preço - para o contexto nacional - possa assustar.
Imagem: natura.com


Me despedindo, com um empréstimo de Castro Alves, elogio a beleza desta dupla:

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Agora fiquei doce, doce, doce... - Pink Sugar EDT de Aquolina - Resenha

Entre entusiastas e inimigos do frio, fico no segundo time. Sofro demais nessa estação: tesa, encolhida e encasacada, aguardo com paciência para que o Sol volte em sua potência. Porém, nem tudo é tristeza e sofrência, o frio dá a possibilidade de usar o Pink Sugar sem medo. Somente no frio ele revela sua melhor face, que, assim como um bom chocolate quente, no verão perde toda sua delícia e pode se tornar um verdadeiro pavor. 
Aquolina entende de doce - toda linha 'sugar' consegue captar uma face gustativa deliciosamente especial, ora mais cremosa, ora vítrea caramelada, ora chocolate crocante. Pink Sugar tem o aroma da máquina de algodão doce em funcionamento, derretendo o açúcar e construindo um sem fim de fios, um aglomerado de delícia, um caramelo fino, fino, que estica até virar fio e se reunir em nuvem de doçura. Egeo Dolce bebeu dessa fonte, mas adicionou doses enormes de framboesa. Pink Sugar é caramelo puro, inclusive o aroma 'queimadinho', um enfumaçado transparente que mesclado ao doce traz calor e curiosidade. Isso o deixa menos sticky, menos grudento. 
Sua evolução - sim, um doce que evolui, veja só! - o leva para uma cremosidade de doce de leite uruguaio/argentino, bem escurinho, quase bala toffee (o sândalo leitoso o deixa assim) com alcaçuz, na doçura ao estilo Lolita Lempicka, de bengalinhas listradinhas típicas do Natal. Somente no frio esse doce todo faz sentido, traz conforto... então guarde-o para aqueles dias de tempo sisudo, casacos pesados e cachecóis enrolados. 


Imagem: aquolina.it

quinta-feira, 17 de março de 2016

Entre Odile e Odette - Make B Urban Ballet d'O Boticário - Resenha

Pára tudo!!! Recebida a novidade em primeiríssima mão, testada antes mesmo do lançamento oficial nas lojas e no catálogo - a fragrância do inverno 2016 da coleção Make B d'O Boticário. Inspirada em tons rosáceos - do rosa cetim das sapatilhas ao carmim das cortinas teatrais - Urban Ballet é uma coleção voltada ao romantismo feminino, com nuances invernais belas e dramáticas. 
O frasco segue as linhas das sucessivas coleções Make B, o formato de sempre e o cristal Swarovski na cor rosa estão lá, em um tom pálido muito bonito. As fitas, sapatilhas e amarrações típicas dos figurinos das bailarinas e seus coques alinhados, o esforço máximo que resulta em delicadeza de sílfide, compõem o caráter de uma fragrância bem trabalhada, entre o doce e o misterioso.
Como boa parte do portfólio Botica, é uma deocolônia, e descrita como a fusão de flores transparentes e tulipa negra. Levando para o lado sensorial, percebo uma abertura realmente floral, mas algo que remeteu às mimosas - alguém lembra do Tarsila? - com um pouco de néctar de flores, mel do pedúnculo - doce, que em cerca de uma hora evolui para um floral mais soturno, abaunilhado com um toque de especiarias. Às vezes aparecem flashes de uma nota orgânica, meio 'suada', como bailarina em fim de espetáculo. Suada mas ainda delicada, muito viva, ainda quente após todos os grand jettes e arabesques. 



Como Odile e Odette, é um contraponto ente claro/escuro, doçura/mistério, do paradoxo da dor sobre-humana dos pés em sapatilhas rosadas, que faz o humano parecer etéreo e angelical, sem tocar no chão. Tem uma beleza interessante, e sim, é invernal. É equívoco sair com este perfume no calor escaldante - a proposta é aquecer no frio que se aproxima - e assim, não colocar em risco a beleza do ballet urbano.  
Duração: aplicado às 19:00h, às 22:40 ainda permanece, mas muito rente à pele. A projeção é intensa no início, abrandando após cerca de uma hora e meia. 


Imagem: www.boticario.com.br


Degagè un, reverence deux. - Aplausos!


quinta-feira, 10 de março de 2016

Ela não anda, ela desfila - 212 VIP Rosé de Carolina Herrera (EDP) - Resenha

Como eu falei do Jardin de Roses da Mahogany esses dias, vamos falar do 'primo rico' do time das champagnes... 212 VIP Rosé, que como toda criação Carolina Herrera tem um toque de Midas, seja pela qualidade (mas nem sempre) ou pelo marketing massivo e esperto (aí sim, sempre!). 
O Rosé do nome é autoexplicativo: a bebida doce e badalada, das festas VIP e seus camarotes, nomes na lista, carrões, entre belas e bem nascidos - algo entre distinção e ostentação que é a tônica atual da diversão. 
Um ponche de frutas - pêssegos, maçãs, uvas maduras e morangos - mergulhadas em vinho rosado e adocicado. Esperava mais 'fizz', mais borbulhas... e na verdade encontrei mais suco e dulçor de vinho branco de colheita tardia, do que necessariamente a acidez leve da champagne. Mas ainda assim é bom, tem uma presença interessante - um pouco alcoólica, de pilequinho mesmo, naquele momento em que a fala fica arrastada e o riso fácil... - tudo é festa, momento para rir com as amigas, fazer check-in, fotografar e postar. 
Mas vamos falar da base - sim, toda festa tem seu fim. A base é almiscarada/ambarada, mas o medo de pesar a mão e ir parar do floral-frutal para o gourmand acabou deixando a coisa um pouco complicada, afinal, são notas efêmeras, que exigiriam um fundo mais denso para sustentar por mais tempo. E como a proposta é pautada na champagne, acredito que, querendo manter este espírito, foi priorizada a refrescância do que necessariamente a duração, que fica numa média de três horas - exalando muito na primeira. Depois permanece bastante suave, rente à pele.
Don't worry... a chegada triunfal na festa está garantida - divirta-se enquanto durar! Mas cuidado com a ressaca, e, se beber, não dirija! 

Imagem: http://www.carolinaherrera.com/




Este post contém link do parceiro Glio (www.glio.com)

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Pelo espelho - Narciso Rodriguez Essence Eau de Musc EDT - Resenha

"O melhor espelho é um velho amigo" já disse George Herbet. Essence Eau de Musc é um grande amigo. Sabe como chegar, e a hora certa. Não adianta ou atrasa, não faz perguntas inoportunas, e, em dias difíceis fica próximo, e em silêncio, como só um bom amigo sabe fazer, na sabedoria de silenciar. Um almíscar muito limpo, com o aspecto seco da íris, algo levemente empoado, pacífico. É confortável como casaco recém saído da secadora de roupas, como toalha macia. 
O frasco espelhado é uma lindeza, lembra o espelho do banheiro embaçado com o vaporzinho morno pós-banho. Unanimidade no quesito "cheirinho limpo", algo de creme neutro, sabonete...
É a leveza de querer ficar consigo mesmo, num mundinho particular, pois não projeta, é muito rente à pele, com um morninho ambarado leve e aconchegante. Manta e fim de tarde, Netflix and chill.
Uma fragrância adulta, sincera e confortável, office-scent sem medo - não incomoda você e não incomadará a baia ao lado, nem cliente, nem chefe. 
Não espere nada bombástico, apenas um aroma de conforto e cuidado, rente à pele por aproximadamente 4 horas. 



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Dia de luz, festa do sol - Omnia Paraiba EDT de Bvlgari - Resenha

A Turmalina Paraíba é uma das mais caras gemas do mundo. A cor é incrível, um verde azulado / azul esverdeado que não há Pantone que a reproduza com fidelidade. Qual os olhos de Maysa. 
Mas, se uma pedra tão cara como esta exala luxo, o que dizer do tropicalíssimo Omnia Paraiba? Ora, é o luxo tropical revisitado! Quer luxo maior que pouca roupa e um dia de brisa à toa na praia? O luxo não é necessariamente coruscante, o luxo aqui é low profile, bossa nova. 
Um frutal refrescante, revigorante, muito natural e envolvente. De cara abre como um acorde de manga meio verde, e maracujá-doce. Gustativo e saboroso, que ao descrevê-lo dá a impressão de ser enjoado, mas não, é fruta bem fresca, aberto e solar. Praia fina, paradisíaca - Bvlgari jamais flertaria com a farofa. Também não é drink, nem protetor solar. É fruta, sacou?
Na impressão que me passa é absolutamente linear, não aparece flor, nem o cacau que a marca afirma incluir na pirâmide. Do início ao fim a mesma sensação frutal e confortável - que sim, encara o calor quando não dá vontade de usar um cítrico fresco, mas também não sufoca como um frutal melequento, que chama abelhas e drosófilas. É bonito, não tem sal, não tem açúcar - é só a mãe natureza, tipo, aquelas frutas que nascem em ilhas paradisíacas a la "Lagoa Azul". 

Imagem: http://www.bulgari.com

O frasco, como toda linha Omnia é lindo, mas o spray é meio malandro... cuidado ao manusear! Projeção mediana na primeira hora, e depois rente à pele. Duração 5/6 horas, típica de EDT.
Entrou para a lista (que não termina nunca!) de fim de verão.


Agora pega o violão, passa um Omnia Turmalina Paraiba e faz a Maysa:

Dia de luz
Festa do sol
Um barquinho a deslizar
No macio azul do mar

Tudo é verão
Amor se faz
Num barquinho pelo mar
Que desliza sem parar

Sem intenção
Nossa canção
Vai saindo desse mar

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

R.S.V.P. - Jardin de Roses de Mahogany - Resenha

Vou falar de um nacional que me conquistou... Nesse a Mahogany acertou em cheio! Jardin de Roses é uma fragrância festiva, agradável e inventiva. A nota de champagne/espumante trabalhada com um frescor diferenciado e marcante. Diferentemente do 212 Vip Rosé - que usa a nuance de champagne adocicada, mais para uva doce e frutal do que necessariamente no efeito borbulhante da bebida -  Jardin de Roses traduz com muito mais perfeição o delicioso fizz que sobe pela flûte.
Rosas brancas, na leveza de pétalas orvalhadas e muito frescas, contribuem em uma elegância jovem e coquete, vaporosa como saias rodadas de vestidos de organza. É um solário cheio de rosas, jasmins recém abertos, folhinhas verdes. Uma festa à tarde, onde serve-se champagne no balde de gelo, frutas em pedacinhos e delicados canapés. Um asseado almíscar constrói a base - a perfumaria brasileira tem uma verdadeira predileção por essa leitura do almíscar - que permanece na aura de juventude. Bastante versátil, agradável e contente.
Duração: 3 a 4 horas / Projeção: Média na primeira hora, reduzindo gradativamente (A Mahogany o classifica como deocolônia)
 


Imagem: www.mahogany.com.br

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

This never happened - Encounter de Calvin Klein - Resenha

This never happened. It will shock you how much it never happened. (Donald Draper)

Vamos falar de perfume masculino, porque a demanda por uma resenha que não fosse exclusivamente feminina tem crescido... E vamos falar de um bonitão. Vamos falar de um perfume que de cara me remete ao Don Draper, àquele clima de Mad Men. Pega a pipoca e dá play (imagina a musiquinha):



- Don sai de casa pela manhã, limpo e imaculado, bem alinhado, barba muito bem feita, cabelos sem um fio fora do lugar. Cheirando a loção pós-barba e pasta de dentes. Pega o fedora, o trench coat e vai à estação. Betty, coitada, nem imagina as milhares de coisas que acontecem no dia do marido, na verdade nem sabe quem é o marido. Encounter é misterioso, é frio... não tem carinho: é bonito, passa uma ótima impressão, paga todas as suas contas, mas tem arestas, é gelado. Não chama para o contato.
- Chegando no escritório, para começar bem o dia, uma dose de conhaque. Encounter é alcoólico, boozy. Não é o alcoólico-baladinha, é o copo de old scotch para tomar sozinho, no escritório ou no balcão do bar, pensativo. Tem algo de rum ou gim, transparente, sem malte, a bebida alcoólica pura mesmo. Isso é intrigante, porque na maioria dos perfumes masculinos essa nota é trabalhada num aspecto levemente adoçado, como Guerlain Homme ou Bvlgari Men In Black. Aqui é destilado e cortante, desce rascante pelas narinas, como um gole de conhaque puro. E conhaque logo esquenta, não é?
- O almoço será estrategicamente planejado para conquistar um cliente. Nos almoços de negócios a comida é sempre coadjuvante, na verdade a conversa e a conquista valem apenas à persuasão e ao convencimento. Encounter leva pimenta seca, que o revela crepitante e rochoso, não tem nada de gustativo, é uma sensação de pedra molhada pelo gim, e só.
- À tarde, um encontro com a amante, disfarçado de reunião de negócios ou visita a cliente. É no meio da evolução que aparece uma face muito, mas muito leve de floral - seria jasmim branco? Como se a bela da tarde deixasse um restinho de seu próprio perfume no colarinho, no abraço demorado. Pouco - o suficiente para intrigar a linda e inocente esposa em casa, quando for lavar aquela camisa...
- O fim da tarde pede um happy hour. Quem disse que a faceta alcoólica foi embora? Ela ainda está ali. Uma dança de fumaça de cigarrilha, a fumaça esbranquiçada e fina, aromatizada, graças ao oud final. O amadeirado que segurou-se alinhado até o entardecer, que não ficou descomposto, não tem ressaca e não demanda um copo com Alka-Seltzer. Nenhum fio de cabelo saiu do lugar. Chove lá fora, e é preciso voltar.
- No trem, a volta para casa, contemplando os pingos escorrendo pela janela, o céu azul escuro e acinzentado como o belo frasco, quadrado e perfeito. O final é chuvoso, garoa fina gelando o rosto, uma ponta remorso que some tão rápido quanto surgiu. O amadeirado umedecido pelos pingos de chuva.
- Com o mesmo silêncio que saiu pela manhã, chega em casa. A esposa o espera, jantar pronto, banho preparado. Tudo está onde e como deveria estar. Encounter jamais entregaria seus segredos...

Imagem: calvinklein.com



O amor é algo que caras como eu inventaram para vender meias-calças...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Pass me a bottle, Mr. Jones - Eau de New York EDP de Bond nº 9 - Resenha

Se você, como eu, passou as preguiçosas tardes da adolescência curtindo MTV e ligando para que seu clipe favorito estivesse no Top 10 (isso, claro, se seu modem dial up 56k não estivesse conectado à linha telefônica), provavelmente você pediu esse clipe do Counting Crows... Eu pedi! 

Novamente, solta o som MyBoy:


Pronto, coloca sua camisa de flanela xadrez e sacode os dreads. Shalalalalala...

Agora nessa pegada dos tempos em que Bill Clinton, Lady Diana e Madre Teresa eram assunto, vamos à resenha propriamente dita. Eau de New York é cool, compartilhável, é um episódio de Friends. Diverte, e não tem como dar errado. Na primeira impressão, maculada pelo apelo comercial típico da perfumaria (que adora associar imediatamente os cítricos aromáticos ao universo masculino), dá um recado que é destinado aos rapazes. Mas não, é para todo mundo - Dá aqui essa garrafa, Mr. Jones!
Eu adoro o cheiro de manjericão, e Eau de New York é herbáceo, verdejante e amarguinho. Muitos cítricos: limão, pomelo, toranja... toda a família 'Citrus' (pausa porque nessa hora provavelmente você estava fazendo a tarefa de casa de biologia, e tinha que saber reino, filo, classe, ordem, família e toda essa coisarada que cobrariam no vestibular!) O citrus que lembra as bebidinhas dos pileques que renderam suas primeiras ressacas morais - bem esse! O fundo é um musk-almiscarado e levemente amadeirado, novamente, amarguinho, que dá uma sensação de limpeza e refrescância, tal qual os drops que esquecíamos nos bolsos. Mostra uma versatilidade: agrada moços de terno, hipsters de barba e gorro, mocinhas preppy, executivas duronas, Mr. Jones e Marias. Aquele povo todo junto e misturado em uma calçada do centro de Nova York. Sua diversidade o torna único, agrada a todos, mas nada forçado ou maçante, apenas autêntico. Projeção: mediana e controlada, com fixação de 7 horas, bastante linear.


Imagem: http://www.bondno9.com/


Já peço perdão pelo post nostálgico, mas minhas manhãs de sábado ainda pedem Eau de New York - para lembrar de um tempo que meu maior compromisso era ir bem em uma prova de física! "Mr. Jones and me, we're gonna be big stars"



quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Verão, sombra, água fresca e meu perfume - Mesa redonda de blogs

O calor em seu auge, o sol abaixo do trópico em todo o seu potencial. Estação de umidade e chuvas para um lado, ou de secura para o outro. São vários os nossos verões, e são várias as formas de encarar essa estação tão amada por uns, e tão praguejada por outros. 
Não é fácil trabalhar nesse calorão, olhando da janela um clima mais que convidativo para uma praia/piscina/cachoeira/banho de mangueira ou o que tiver ao alcance - o mar está a quase 800 km de mim nesse momento! E se a obrigação chama, pelo menos tentamos carregar um pouco do frescor tão almejado. 
Agora, se você está de férias, ou nos fins de semana que pode ficar de papo para o ar. Ah, nesses dias o verão se faz valer! Aquele relax mais que merecido, o 'dolce far niente' e a malemolência do calor. Uma bebidinha refrescante, o balançar da rede... e esses perfuminhos aqui:

Cologne France - Molinard
Ai que bonita! A maravilha de esparramar colônia com as mãos, sem medo de enjoar. Fresca, cítrica e límpida. Gosto mais que 4711, juro juradinho! Vai bem no trabalho, no eau de pijama, no passeio. Tem um frasco fofo demais da conta, com cara de antiguinho, uma paixãozinha. Se joga!


Cedrat - Roger & Gallet
Tem como não amar essa coisica que leva chá de hortelã? A colônia Cedrat tem um frutal levinho, de água saborizada em refresqueira de cristal, sabe como? É divina! O nome remete à madeira de cedro, mas nesse quesito a colônia da Phebo, Cedro do Marrocos, conseguiu passar mais a impressão amadeirada, mas lógico, esse é o remanescente predominante na pele, no tempinho efêmero que só uma colônia sabe ter. 





Cool Water Frozen (F) - Davidoff
Favor, não xingar por mencionar edição limitada de quinze anos atrás! (Se a vontade for muito grande, dá pra tentar a sorte no e-Bay) Esse EDP tem cheiro de cachoeira com raspadinha de abacaxi! Flor de lótus, vetiver encharcado, uma nota esperta de bambu... E campânula. No mesmo efeito do Dolce & Gabbana Light Blue. O nome é autoexplicativo - para usar direto sobre a pele.



Little Italy - Bond nº 5
O chic é chamar de clementina, mas como criança interiorana eu conhecia essa fruta como "laranja de enxerto" (impressionante, consegui tirar o glamour da coisa!). É um caldo de clementina, laranjas, tangerinas e limão doce, "polido" por um almíscar limpo, para não dar aquela impressão de fruta melecada. O óleo das cascas dá uma luminosidade especial, o frasco laranja-cheguei é a cara do verão. Animadíssimo!




Surreal Garden - Avon
Esse é um amigo dos fins de semana. Chypre. A melhor definição do estilo... Mato fresco, macerado, beira de rio, sem uma gota de fruta ou açúcar. Banho de cheiro, patchouli, raízes amassadas, pétala de flor esmagada entre os dedos. Custa pouco, vale muito, fixa, projeta e faz bonito. 



Outras mesas redondas nos links: