segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

All that jazz - Carolina Herrera de Carolina Herrera EDP - Resenha

Carolina Herrera, venezuelana de nascimento, daquele tempo em que boas famílias latinas faziam longas viagens de trem, passavam temporadas na Europa e aprendiam todas as regras da elegância e boa convivência. Seu cabelo platinado, primeiro em chignons à la Eva Perón, e depois curtos e impecáveis mostram um refinamento construído, tão bem cortado quanto os colarinhos de suas camisas brancas. Uma camisa CH se reconhece de longe. 
Antes da loucura comercial orquestrada especialmente para as linhas 212 e CH, Carolina Herrera ousou muito ao final dos anos 80. Essa ousadia foi trazida ao icônico Carolina Herrera EDP, aquele da caixa estampada de petit-pois (ou polka dots, se você gostar mais do vocabulário fashionista norte-americano), que possui uma potência enorme, aquele perfume-assinatura que toma conta do ambiente, e que não tem como passar despercebido. 

 Imagem: www.carolinaherrera.com


Ok... let's the party on, let's short the skirts...

Carolina Herrera é um perfume como a Velma Kelly, do musical Chicago. É sim. 



É grandalhão, tem belas pernas em meias-calças pretas de costura atrás. Ri deliciosamente alto, e chama atenção por si. As fragrâncias Carolina Herrera nas versões 212 são para amadoras, são para Roxie Hart. Carolina Herrera EDP é cabelo chanel lisíssimo e preto, é cigarro na piteira, é autoconfiança e talento de nascença. É flor de laranjeira em peso, madeira tinta e muitos quilos de flores brancas - ora, para ser bomba precisa de muitas flores brancas: tuberosa, jacinto e jasmim, o trio perfeito do bom jazz. Notas de fundo fora do uníssono, com civeta, musgo, almíscar, cedro que beira o masculino, e sândalo pesadão, como o ar enfumaçado de um teatro vaudeville. É daquele tempo que perfume devia ser notado, que cada abraço era uma troca de aromas, cada um carregava consigo parte daquele instante de contato compartilhado. Para ter uma ideia: ele permanece até na roupa depois de lavada... 
Mas é bom o bichinho. Muito bom. Borrifa a nuvem, passa na frente e sai para detonar. 'Cause all that jazz!