sexta-feira, 22 de maio de 2015

Eu prefiro ser, essa metamorfose ambulante! - Mesa redonda de Maio

Metamorfose... a transformação, de lagarta à borboleta, de homem para barata (seria mesmo uma barata?) na leitura de Kafka, lenta e gradual conforme Darwin, de homem para mulher como Bruce Jenner, de mulher para homem como Tammy Miranda. Antoine Lavoisier já dizia que, nada se cria, tudo se transforma. Ou mesmo no pensamento do I-Ching: "tudo é mutável, menos a própria mutação, que é constante, e isso demonstra a essência da vida". Mudança, transformação... Um aroma frio e distante que se torna quente... Um aroma sensual e picante que se torna manso. A flor inocente que depois de algumas horas se transforma em madeira em brasa... Quantos não são aqueles que se decepcionam com a mutabilidade de alguns perfumes "na primeira borrifada eu amei, mas passada meia hora se tornou horrível" - esperando uma linearidade diferente da sinfonia de notas proposta pela criação. Seguem alguns daqueles perfumes que, em minhas impressões, se alteram ao longo do tempo sobre a pele, em verdadeira metamorfose ambulante.


A Metamorfose: De Madame Poderosa à Gótica Soturna 
O Perfume: Giorgio Beverly Hills
Primeiramente: para funcionar, não pese a mão, caso contrário, procure o pronto-socorro mais próximo para um oxigênio... é uma borrifada de nuvem, e só. Aí funciona, tão bem como só os florais enoooormes e potentes dos late 80's sabem ser. Aldeído, flor branca - o infalível trio tuberosa, jasmin e gardênia - e rosas coloridas. Glam ao extremo. Mas aí a madame vai dar uma voltinha no cemitério (visitar o túmulo do falecido?) e então se veste de preto, limpa o batom rosa pink e passa um bordeaux bem escuro. Um musgo de carvalho bem fechado, patchouli de terra molhada, algo levemente 'sujo'... Giorgio se transforma! Ao menos dá um tempo razoável nessa transformação, até que a mente e o nariz consigam assimilar essa riqueza olfativa toda!
Imagem: http://www.giorgiobeverlyhills.com/en/giorgio-beverly-hills/



A Metamorfose: De Gelol à Fogueira acesa 
O Perfume: Ange ou Démon Eau de Parfum de Givenchy 
Já falei dele aqui. Mas não tem como, dentre as metamorfoses preferidas, não lembrar desse anjinho safado... De início gelado, à la musa anos 20 como Jean Harlow, sobre a pele ele ganha contornos cálidos, toma de empréstimo alguns graus daquele que o 'veste'. E caminha para o incenso de ritual profano, fogueiras e oferendas. Esquenta com a resinada fava-tonka, com ares enfumaçados. É anjo caído, que se volta aos calores do Hades. 

 Imagem: www.givenchyconversations.com


A Metamorfose: Do mato ao chocolate 
O Perfume: Covet de Sarah Jessica Parker
Covet é o campeão de surpresa: "mas eu achei tão diferente quando passei". Herbáceo, lavanda seca e flores úmidas de brejo - lírio do vale e magnólia. Aí passa para um chocolate azedo, como o cacau em pó puro para culinária, ganhando ainda mais 'azedume' com gotas de limão. O fundo amadeirado almiscarado levemente aquecido, adquire traços andróginos, e faz do Covet uma fragrância praticamente unisex. Não compre sem testar, sem dar "tempo ao tempo", ele tem uma transformação brusca sobre a pele, que pode assustar os mais desavisados!

Imagem: http://www.sarahjessicaparkerbeauty.com/sjpnyc


Participantes da mesa deste mês:

Floral e Amadeirado - Lu Marques
Templo dos Perfumes - Cris Nobre




13 comentários:

  1. Três lindos! Adorei a introdução do texto, tantas são as dimensões do que chamamos de metamorfoses...

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    1. Sempre penso na metamorfose de Kafka, acredita? Foi uma obra que me impactou! Achei o máximo a ideia deste mês... Meio Raulzito, meio Lavoisier! Beijos Diana!

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  2. Queriiiida! São mesmo as metamorfoses (pequeninas ou bruscas) que nos fazem correr ou ficar, gostar, desgostar, pensar e amadurecer. Super válida essa mesa redonda. Há quem goste de surpresas (e espere por elas) e há quem queira mesmo estar sempre em segurança. Dos três, não conheço ainda o Covet, e confesso que fiquei bem tentada.(Na próxima ida ao 'exterior' vou sanar essa curiosidade.) Mas para o Giorgio, seu termo INFALÍVEL é o que cabe. Mesmo na transformação, é delicioso; fica campeão na categoria. E pro Ange ou Démon, só me dei conta do motivo do nome que lhe foi dado, depois de ler seu post.(Maravilhoso!) Um enorme beijo, Lindeza! Muita saudade! Sempre passo por aqui, e sem falta, me inspiro contigo!

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    1. Ah... os teus comentários... Como me enchem de alegria! Saber que você passa por aqui, assim como as cartinhas que me mandava perfumadas com 'Biografia' ou 'Crazy Feelings'!!!
      Sabia que você amaria o Giorgio Beverly Hills, é grande e iluminado, e passa a um intimismo fantástico, de histórias guardadas em envelopes.
      Prove o Covet, quando tiver oportunidade... é magnífico na sua 'metamorfose'!
      E passe sempre aqui, meus suspiros em forma de reticências sempre te aguardam!
      Beijos e mais beijos

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  3. Oi Pri! Ah, vc me fez desejar pela primeira vez o Giogio, sempre fugi dele pela tuberosa (medos), mas nossa... me lembrou demais a frase adaptada do mondo muerto "hay que obscurecer-se, pero sín perder el rebolado jamás!"
    Sobre o AouD, queria ter ficado com o meu, mas ah, Givenchy malvada... Eu podia não ter conhecido o antigo e ficado só com o da embalagem nova. Covet é um dos amores da minha vida, o único celebres que eu tive e um dos melhores perfumes de metamorfose que já provei :3

    Bjos linda!

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    1. Como eu disse... Giorgio é malandro, exige mão leve! E sua tuberosa é de uma profundidade magnífica, não precisa ter medo não!
      Ange ou Démon tem carga afetiva para mim, então sou suspeita... E realmente, o Covet tá mais para nicho do que para celeb (não que eu antipatize com perfumes de celebridade, mas nesse caso o marketing não venceu - tanto que sumiu das prateleiras, porque não teve vocação meramente comercial mesmo!)
      Beijos Lu!!!

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  4. ai que morro que não conheci o covet! e fiquei com vontade de sentir o giorgio novamente...faz mjuito tempo q nao o sinto!
    delicia de leitura querida, bjs

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    1. Cris, estou admirada como o Covet 'causou', menina! Quando lançou aqui por esses lados da fronteira, era muito preço de banana, porque não agradou muito o público e queriam desovar logo... Eu gostei de cara porque ele é diferentão - mais Carrie Bradshaw impossível!
      Giorgio é coisa fina, acho que não dão o devido valor para ele - coitado está no limbo entre o antiquado e o vintage! Espero logo assistir seu retorno triunfal, como Poison andou fazendo :D
      Beijos Cris!

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  5. Já ouvi tanto desse covet que a vontade só faz aumentar. Pena que nao acho ele nem com a lanterninha do celular (vixi até rimou hahahaha)

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    1. aaah esqueci (fiquei rindo com a "rima" e esqueci) ... MAS QUE bela introdução heim

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    2. Covet sumiu por duas razões: como não foi blockbuster, saiu de cena rapidinho... ao mesmo tempo, quem provou se apaixonou, e não larga de jeito algum! Acho que só no e-Bay agora...
      Gostou da minha filosofada "de Kafka a Tammy (Gretchen) Miranda"? Coisas de gente maluca! hahahaha
      Beijos Rafa!
      PS - Você é um poeta do século XXI, essa rima ainda valerá milhões!

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  6. Pri, adorei o post!
    Ange ou Démon começa com cheirinho de cânfora, né? rsrsrs

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    1. Oi Cris!!! Que bom tê-lo novamente por aqui! :)
      Eu adoro esse canforado, sério... O Perles da Lalique também tem, é algo meio de remédio, que é tão gelado que até queima! Sai do óbvio, e acho que isso é o que mais assusta no A&D.
      Beijosss

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