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Mostrando postagens de Abril, 2015

Uma ópera e um fantasma - Fantasme de Ted Lapidus - Resenha

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"Prima donna, brilhante e leve, enche o palco". Estou apaixonada por Fantasme, na verdade não estou, eu sou apaixonada - é paixão de longa data, mais precisamente desde seu lançamento, enfeitando as prateleiras que cobicei na infância.  A despeito de seu nome, que poderia dar alguma ideia de morbidez, esse fantasma não é assustador, ele é mais para a presença antiga, no teatro iluminado de cor âmbar, que não arrasta correntes, mas apenas move suavemente as cortinas e treme a chama das velas.  Tem um quê antigo, empoado, de maquiagens e figurinos. Um jasmim perfeito, um corpo floral digno do bouquet para a 'reverence' da artista, que aparece desde o início, passando para um doce de fruta bem madura no segundo ato, e o gran finale fica por conta de uma das melhores interpretações da combinação sândalo + baunilha. Nisso ele cresce, e dura muito, com uma projeção deliciosamente calculada, que a cada movimento reaparece, como um espectro - um fantasma. Tel Lapidus assina fra…

Livros e Perfumes – Amor em dose dupla – Mesa Redonda de Abril

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“Os livros são objetos transcendentes, nós podemos amá-los o amor táctil”, segundo Caetano Veloso. Amo livros, demais, de Guimarães Rosa a Dostoiévski, de João Ubaldo Ribeiro a Ken Follett. Atualmente estou mais nos livros acadêmicos do que literários, mas isso é só questão de tempo, logo volto às minhas viagens a cenários longínquos, ainda que da poltrona da sala. Perfumes me provocam essa mesma sensação: viagens sem sair do lugar, divagações e impressões. São formas de expressão e de arte. Como adoro a associação entre perfumes e pessoas, seguem alguns perfumes e algumas personagens do mundo da literatura, que têm a mesma 'linguagem' e me trazem os mesmos sentimentos.

A Personagem: Diadorim (Grande Sertão Veredas – Guimarães Rosa) O moço quieto e ressabiado, em cujos olhos "o verde mudava sempre, como a água de todos os rios em seus lugares ensombrados. Aquele verde, arenoso, mas tão moço, tinha muita velhice, muita velhice, querendo me contar coisas que a ideia da gente n…