segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Mesa Redonda - O Aroma da Realeza: príncipes, princesas e perfumes

O tema da mesa deste mês foi de minha escolha, e entre as três opções que apresentei, essa foi a vencedora. Estou muito feliz com o resultado, porque mais uma vez vou conseguir mesclar história e perfumes, o que me deixa duplamente apaixonada!
Escolhi cinco rainhas, que me fascinam quando folheio os livros e pesquiso sua trajetória, pois foram polêmicas, apaixonantes e diferentes de um ideal de obediência. Tento imaginar o aroma de seus aposentos, de suas vestimentas, o rastro de nobreza que deixavam pelos palácios... Assim, associei um perfume atual para cada uma dessas princesas e rainhas que fizeram história, já que não conseguimos saber ao certo o que estava na penteadeira de cada uma delas.

Valéria Messalina (Imperatriz de Roma - +/-18d.C./38 d.C)


Messalina era toda devassidão e luxúria, e não era segredo para ninguém que ela aprontava todas pelas ruas escuras de Roma sob a alcunha de “Loba”. Casada com o Imperador Claudio, idoso, manco, cego de um olho e que babava, a jovem e linda Messalina, entediadíssima, começou a aprontar. No início era só por farra, mas a coisa saiu de controle, e com o passar do tempo suas estripulias ganharam proporções perigosas – o que lhe custou a vida. Que perfume será que Messalina escolheria para suas noitadas de farra? Não consigo pensar em outra coisa senão o Dana Tabu, com toda sua proposta sexual, animálica (ainda que sintetizada na atualidade), e a pretensão de ser um “aroma de alcova”.




Teodora de Constantinopla (Imperatriz de Bizâncio - Império Romano do Oriente - 500/549)


Por este mundo já passaram muitas imperatrizes, rainhas consortes e primeiras-damas, mas existiu Teodora, e nunca haverá outra como ela. Ela fez de tudo para ser imperatriz: TUDO. Ela fez mudar as leis bizantinas para que atrizes (meretrizes?) pudessem casar com imperadores, ela pôs fim em uma revolta sangrenta que seu marido Justiniano não conseguiu controlar sozinho, ela foi de pobre miserável à santa venerada pela Igreja Ortodoxa. Ela é a minha aula de história favorita, por ser uma personalidade intrigante, cheia de nuances: ora doce, ora maligna, mas sempre muito determinada. Pelo nome, pelo contexto e pela personalidade Teodora adoraria o Rochas Byzance, a obra-prima da perfumaria, carregado de nobreza e complexidade, para quem faz questão de não passar despercebida. 




Catarina, a Grande (Czarina da Rússia - 1729/1796)


A czarina de todas as Rússias, polonesa de nascimento, tinha muito mais tino para o governo que seu marido Pedro. Representante maior do movimento conhecido como “Despotismo Esclarecido”, Catarina era amiga de correspondência de Voltaire, e entusiasta do Enciclopedismo. Também era conhecida por seus inúmeros amantes, que seguidamente recebiam presentes para lá de generosos (propriedades, servos, pensões, títulos). Alta, de grande presença, diz-se que ela mesma desenhou algumas de suas joias, e era fã da arte da montaria. Catarina tinha tudo a ver com o opulento e marcante Paloma Picasso: forte e decidido, que de cara já dá o seu recado. 


 
  
Maria Antonieta (Rainha de França e Navarra - 1755/1793)



A dauphine austríaca da França, que viveu cercada de todos os luxos e cerimônias de Versailles, angariou a raiva da população por gastar tanto com seus inúmeros vestidos de tafetás e brocados, finos confeitos, festas, perfumes e vaidades. Tédio? Talvez. Mas o deslumbramento pelo choque entre a sua origem – uma corte austera, organizada de perto por uma mãe severa - e o fausto do Palácio do Rei Sol, (além das loucurinhas de Paris!) certamente contribuíram com o comportamento extravagante dessa controversa rainha. Embora Marie Antoinette tivesse um perfumista à disposição (Jean-Louis Fargeon), ela com certeza se apaixonaria pelo Quel Amour, de Annick Goutal, docemente frívolo e encantador... como ela!





Princesa Isabel (Princesa Imperial do Brasil - 1846/1921)



Preparada a vida toda para ser a rainha que nunca foi. Culta, inteligente e bem educada, a mais querida princesa brasileira tinha ideais liberais, e já se preocupava com a questão da escravidão desde jovem, tanto que a Lei do Ventre livre teve sua influência, e a Lei Áurea foi assinada em sua regência. Chamada de “Princesa das Camélias”, uma vez que esta flor, na cor branca, era o símbolo da luta abolicionista, Isabel adorava a camélia em estampas, joias e broches. Partindo do aroma da camélia, lembro do Lanvin Arpège – que depois do choque do aldeído traz toneladas de camélias e flores brancas, e acho que 'casaria' bem com a Princesa Isabel: Nobre, impetuoso, ainda que incompreendido...
 
 Outros devaneios perfumados você também vai encontrar nesses blogs aqui:

16 comentários:

  1. Amei o post! Fiquei super curiosa para conhecer os aromas porque infelizmente não conheço nenhum. Conheço apenas o Arpège pour homme, uma pena!

    ♥ :)

    P.S.: Priscila, se der disponibiliza a opção para cadastro por email porque eu gostaria de receber os novos posts por lá. Um abraço!

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    1. Oi Amana!!! Que alegria sua visita por aqui!
      Eu estou arrumando todo o site, nesse fim de ano vai ter uma repaginada, e vou colocar o link para assinatura!
      Um beijo!

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    2. Amana, tá ali o link para assinatura! Beijos

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    3. Já estou inscrita! Hahah... Obrigada, Priscila! Bjus

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  2. Que show, Priscila! Que aula e que passeio pela história dessas mulheres fascinantes! Incrível o post e a seleção de perfumes!

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    1. Obrigada Diana! Nesse tema eu consegui juntas minhas duas paixões, então soltei o verbo!!! :D
      Um beijão

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  3. Gente, "aroma de alcova" arrasou!
    Sobre o Paloma Picasso, pensamos em algo parecido: perfume chypre...
    Beijo!

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    1. Hahaha, Tabu é pura luxúria... Paloma Picasso é item de coleção, poderoso! Engraçado os caminhos que nossas 'mesas' tomam, as interpretações diferentes, as leituras do que é nobreza, as memórias...
      Beijos Cris

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  4. Flor que perfeito. Adorei a Messalina perfumada com Tabu. É a cara, a própria...e se me permite ela também ficaria ótima com Opium ! Dois matadores! E na sequência um melhor que o outro...parabéns.Beijocas

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    1. Obrigada Beth!
      O que mais pensar, do que a fragrância do Tabu para aquela que se tornou adjetivo? Já o Opium seria o escolhido para os amantes seletos... Enquanto o Tabu para a farra anônima e pecaminosa.
      Beijos e mais beijos

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  5. Fascinante. Só fiquei com dó do Claudio tadinho idoso, manco, cego de um olho e babava hahahaha mas o perfume é a cara da Messalina!

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    1. Claudio tinha uma paciêêência com Messalina... hahaha (Atribuem a ele a célebre frase: "deixe que a jovem se farte, pois assim não me atormenta!")
      Tabu é um renegado, mas tem uma construção olfativa e tanto. Mas como sempre foi vendido em farmácias, virou "povão", aí perdeu o prestígio!
      Obrigada pela visita, Cristhian

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  6. Que delícia de post! Lindo, incrível! Minha paixão é Teodora. Desde pequena amo essa história e tínhamos um livro com vários personalidades importantes que passaram pelo mundo, homens e mulheres. Lá foi a primeira vez que li sobre ela e havia uma pintura tão linda dela. Se procuramos só encontramos os desenhos em mosaico mas quando quis escrever sobre Byzance, e ela seria sua representante, óbvio, eu tive que fuçar no sebos atrás desse livro...E achei! Personagem fascinante!
    bjus

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    1. Mas me passe o título desse livro, Lily! Vou à caça para já!!!
      Teodora não é muito mencionada... como professora de História do Direito, falamos muito em Justiniano, por causa do Codex, mas tento trazer as nuances de Teodora, porque ela foi muito mais que coadjuvante, ela movia Justiniano.
      Byzance tem uma cara de nobreza, e a associação é quase automática. Ando a procura de um frasco para mim, para item de coleção!
      Beijos

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  7. Mas que post babadeiro amiga! amei! rainhas e seus perfumes "régios". Beijos

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    1. Babadeiro! Ameiiiii Cris
      Essa liberdade criativa das mesas é o máximo, cada um imagina coisas tão diferentes de um mesmo tema, fica lindo demais!
      Beijão

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