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Mostrando postagens de Setembro, 2014

E eu gosto de meninos e meninas... - CK One e Be de Calvin Klein -Resenha Dupla

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Quando eu era pequena, ainda querendo ser moça, eu lia muito, muito mesmo... até hoje leio um absurdo, o que me rendeu um grau altíssimo de miopia. Eu lia de dicionários a bulas de remédios até enciclopédias e livros de botânica. E lia Marie Claire, Elle e Vogue, quando ainda eram revistas de MODA - boa moda! Isso era nos idos anos 90, e as propagandas pregavam a androginia, minimalismo, uma aversão ao dourado e ao rebuscado. Fotos de Mario Testino e Annie Leibowitz. Preto e Branco. Heroin Chic. Linhas puras. Jeans e T-Shirt branca. Coturnos. Grunge. Friends... Ai, fiquei nostálgica!


Nesse contexto, Calvin Klein acertou em cheio em uma criação que se tornou símbolo, daquele distante 1994, que definiu toda a estética 90's de ser - foi a despedida definitiva daqueles resquícios dos anos 80, o Obsession já dava sinais de cansaço, era hora de algo novo. E nasceu o ultra-cool CK One. Não é feminino, não é masculino. É claro, luminoso, fresco e despretensiosamente chic. Como jeans, cami…

Calandre de Paco Rabanne - Resenha

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Sisudão, o irmão certinho e metódico, exemplo da família... Esse é o Calandre para mim, moço de berço, bem alinhado. Que acorda cedo para a reunião de negócios, resolve tudo com esperteza, e volta e meia tem que tirar os irmãos 'mais novos' de encrencas - o caçula One Million que o diga! Calandre preza pelo bom nome da dinastia Paco Rabanne. O frasco é elegante, limpo, sem frufrus, e o próprio líquido - transparente - é atração, na moldura retangular cor de prata. Letra legível e regular, um retrato em preto e branco que conta uma história inteira.  A construção olfativa é aquela típica da transição 60/70, que tenta passar uma ideia  futurista - o que explica tanto aldeído - mas justamente isso o torna interessante: perfumão! Não encontra pares na atualidade, um vintage nada obsoleto. Após um susto de aldeído, pronunciam-se a rosa - naquela forma metálica -, jacinto, lírio e seiva verde, de folha pura. Ao final o almíscar aparece e um atalcado limpo toma conta.  Quer uma dica? S…

Como assim, perfume de salada?

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Quando se fala em notas perfumadas pensamos sempre em flores, especiarias, favas e madeiras, não é mesmo? Mas, e quando um elemento típico da salada se torna perfume? Fiquei curiosa com esse assunto, quando senti um cheiro refrescante, “crocante” e geladinho no DKNY Be Delicious. “O que será isso?” pensei eu... Era uma nota inusitada: pepino japonês! Realmente, é um cheirinho muito refrescante – aquele truque de colocar pepinos cortados sobre os olhos para tirar as olheiras tem utilidade desde o tempo da sua avó, acredite. E lá fui eu atrás de pesquisar quais as saladinhas que entram nas composições perfumadas – e tive algumas surpresas:
Imagem: www.facialbook.com
Pepino Refrescante e crocante, que assim como a melancia, pode ser considerado o quarto estado físico da água. A nota de pepino pode ser encontrada em fragrâncias fresh, com a cara do verão, para dar um vigor geladinho. Fica pronunciada no DKNY Be Delicious e quase todos os seus flankers, no Polo Blue, no Ralph, de Ralph Lau…

Love is in the Air – Love, Chloé Eau Intense – Resenha

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Essa foi uma jogada certeira das fragrâncias Chloé: conseguiram deixar o Love ainda mais delicioso. Tem como misturar talco e baunilha? A resposta é: tem – e o Love Eau Intense prova isso. É ambarado e quentinho, naquele estilo que o Joop! Le Bain tem de peculiar, mas aqui ficou mais suave, com um toque mais floral (glicínia, talvez?) e suave. Não é o amor carnal, estilo Hipnotic Poison, é aquele amor sublime, de cavaleiro para sua amada, que faz serenata - o perfume da Marita de Dirceu!  
Imagem: http://www.chloe.com/#/collections/fragrance/chloe/love-e-intense

Dança próximo à pele, lindamente ao longo de um dia inteiro, por esse fundo balsâmico e caramelado. O mais interessante, é que o Love Eau Intense não é doce-formiga, nem talquinho de vovó, consegue trazer conforto a quem usa e a quem sente, lembrando de longe o pó-de-arroz. É o cheiro da neta daquela senhora chic, que na mocidade se perfumava ao L'Air du Temps: a evolução da elegância, versão século XXI. Neste fim de inver…

Mesa Redonda: O Perfume do Egito Antigo

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Como professora de História do Direito, o tema da ‘mesa redonda’ deste mês me instigou: Perfumes do Egito Antigo. Eu não estava lá para saber, mas quando imagino aquela paisagem desértica, dependente das secas e cheias ao capricho do rio Nilo, tentei imaginar os aromas que pairavam por aquela que foi uma das primeiras civilizações. As fontes históricas são unânimes: os egípcios se perfumavam, e muito! Mas tentei pensar mais no cheiro como um todo, não somente das pessoas, o aroma do lugar (como o da minha cidade tem um cheiro incrível de mato fresco!).

O Aroma Natural: Entre muita areia, surge o rio Nilo, trazendo argila e detritos, espalhando-os às margens. Aquele solo mole, pantanoso, deveria ter cheiro de umidade, de musgo, de plantas aquáticas - papiros e taboas. Plantações de cevada, gramíneas e mato rasteiro. Ao longe, somente areia e pedras, aridez de deserto, sol ardente. Meu olfato viaja nesse contraste entre seco e úmido, fértil e árido. 
O Aroma das Casas: O rio Nilo era gen…