sexta-feira, 18 de julho de 2014

Hot n' cold! - Ange ou Démon de Givenchy - Resenha

Meu carinho por esse perfume é de longa data, quase dez anos, para ser mais precisa... Lembro da euforia toda na espera do lançamento da Givenchy, na empresa de comércio exterior em que trabalhava, acompanhar o carregamento em cada escala, e, quando chegou, conferir caixa por caixa, se estavam todos intactos. Ali haviam também 4 testers, e quando o cliente chegou para buscar a carga, perguntou se queríamos um... Eu e minha colega não pensamos duas vezes: mas é claro que sim! Tiramos par ou ímpar para saber quem levaria aquele frasco em degradê, mas não tive sorte - ficou para ela!

Imagem: www.givenchyconversations.com


Quando ela borrifou um pouco no braço, achou estranho: esse perfume tem cheiro de Gelol? Rimos muito, e testei em mim para ver como aquela novidade se comportava. Realmente canforado, mas ao mesmo tempo explodindo em flores brancas. Uma hora depois um incenso resinoso que perdura por horas. Chegamos a uma conclusão: para ela, seria o demônio que amansa e vira anjo, o quente que esfria. Para mim, o oposto, um anjo glacial que vai esquentando até beirar a brasa acesa. 
A única coisa que não é possível diante do Ange ou Démon é indiferença - pode ser que a pessoa diga: 'Detestei, estou com enxaqueca e tchau! Nunca mais quero sentir!!' Mas alguma coisa vai sentir: paixão ou raiva! 
No meu caso, paixão duradoura e declarada! 
Duração longa, de 9 a 10 horas, e projeção de moderada a intensa - então cuidado ao aplicar!

Uma Thurman, o rosto escolhido pela Givenchy para Ange ou Démon (Escolha pra lá de acertada, não?)
Imagem: www.givenchyconversations.com

terça-feira, 15 de julho de 2014

Savana ou Saara? - My Afrika de Krizia - Resenha

Uma pena que não seja tão conhecido - achei por uma pechinchinha e depois nunca mais! Mas ô perfuminho bom!
Ele tem uma orginalidade rara, se sustenta só em madeiras e raízes, e mesmo assim consegue ser delicado. Gengibre ao quadrado, cru, ainda ardido e fibroso. Óleo de casca de limão, algo medicinal. Heliotrópio alcalino, venenosinho, no arbusto. Ébano resinoso e âmbar. Junte tudo isso - e o My Afrika parece a mistura recém macerada, pronta para passar na pele. Diz que tem jasmim, mas não o sinto expressivo, quase não tem flor. A duração não é das maiores - umas 4 horas - mas acho que a intenção é essa mesma, até porque para fixar mais, seria preciso adicionar uma baunilha, um sândalo, e a proposta não é essa. Seria um pecado tirar essa aridez bonita, de fim de tarde na savana. 
Gosto de usar naqueles dias de inverno, de céu azul puro e sem nuvens, renovando na hora do ventinho do entardecer. Dá um calorzinho imediato!

Imagem: www.krizia.it

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Bom, bonito e barato - Provocative Woman de Elizabeth Arden - Resenha

Elizabeth Arden começou sua carreira com spas urbanos em Nova York, com as indefectíveis portinhas vermelhas... Seria uma tentativa de democratizar a beleza? "Entre por essa portinha mágica e saia linda!". Pois a marca consegue isso com seus perfumes!
Da água de colônia fresquinha do Green Tea (e suas dezenas de flankers) ao marcante Red Door, EA tem para todos os gostos - e bolsos!
O Provocative Woman é bem charmoso. Ao contrário do Fantasy, a nota de marmelo é bem dosada, junto com pêssego e damasco tem uma parte frutal suculenta e suave. As notas de fundo são bem escolhidas, ambaradas, mescladas a cedro e sândalo, que dão uma durabilidade respeitável. Não que seja um exemplo de originalidade, mas é curinga para ser ter na prateleira, quando dá aquela preguicinha de pensar no perfume do dia... Apesar do nome, ele não é tão provocante assim, e é versátil, dá pra usar tranquilamente durante o dia, e, dando uma retocadinha, leva o happy hour na boa! 
E o precinho é bem camarada, coisa de R$60,00 (vinte e poucos dólares) o de 100ml! Pra usar sem dó!




Imagem: www.elizabetharden.com

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Comprando perfumes importados

Mais um post 'didático'... (Eu tento ficar longe do meu lado nerd, mas não adianta!)

Nesse post aqui, eu comentei um pouco sobre a tributação incidente sobre perfumes, que torna tão desanimadora a compra de fragrâncias importadas aqui no Brasil. Como ninguém quer ficar sem seu Chanel ou Dior, junta uma graninha e compra no exterior, certo? Agora com os sites de venda online, até um Bandit ou um Joy é possível, basta contar com a tecnologia (e a sorte!).


Comprando do site nacional:
Se o site for brasileiro (ou seja, você está comprando de um importador), o preço será mais alto, obviamente, porque aquela Pessoa Jurídica já pagou a tributação relativa ao produto. Você compra, espera a entrega, como qualquer e-commerce, estando inclusive protegido pelo Código de Defesa do Consumidor, de forma integral. Essa é maneira menos complicada, embora o custo/benefício nem sempre seja compensador, e o rol de marcas distribuídas, lançamentos e edições especiais fique bastante limitado. 

Comprando de site estrangeiro:
Se for em sites do exterior (consideraremos aqui que mandarão o produto para você a partir de outro país, não em relação à hospedagem do site, etc), no momento que faz o pedido, você se torna o importador - Pessoa Física, estando sujeito ao regime aduaneiro aplicado pela Receita Federal. 
Quando a mercadoria é transportada, será acompanhada do 'Conhecimento de Embarque', onde constará seu valor. A partir deste - somado ao frete - será calculado o tributo devido - 60% sobre esse total, que deverá ser pago pelo destinatário quando o produto chegar ao Brasil. Como não é possível ao órgão aduaneiro fiscalizar todas as cargas que chegam, as mercadorias são tributadas por amostragem, o que explica que às vezes uma encomenda é tributada e outras não. 
Pelo Regime de Tributação Simplificada (RTS), são isentas de tributos as mercadorias até US$ 50,00 (cinquenta dólares), lembrando sempre: valor este já com frete! (Por isso, calcule sempre com cuidado antes de fechar o pedido, para não ter surpresas desagradáveis).

Comprando no exterior:
Alguns países - geralmente aqueles que dependem do turismo, como Aruba, Anguila, St. Barthélemy e outras ilhas caribenhas, ou não que têm uma indústria nacional expressiva, como nosso vizinho Paraguai - têm um regime de tributação mais brando em relação aos produtos importados. Sem a taxação de quase 80%, o preço fica extremamente convidativo, não? Aí quando viaja, aproveita a oportunidade para encher a mala de perfumes e mais perfumes, tenta até fazer estoque se puder! 
Mas é importante estar atento às determinações da Receita Federal, em relação a viajantes em regresso ao Brasil. A cota de isenção é de US$ 300,00 (trezentos dólares). 

Opa! Posso pegar trezentos obamas e comprar uns 15 perfumes??? A resposta é: NÃO. Você poderá comprar ATÉ 5 itens de perfumes e cosméticos (desodorante spray, maquiagem, tudo conta nesse caso), com repetição de 3 itens. Ou seja, sou fã absouluta do Opium, e quero comprar uns 5, pra ter em estoque... Não vou poder. Vou ter que me contentar com 3 Opium, 1 Shalimar e 1 Poison, entendeu? Passando disso, será cobrada a tributação sobre o valor excedente à cota de isenção (50% sobre o valor que ultrapassar os US$ 300,00)

Em caso de compra em Duty Free de Aeroporto ou zona alfandegária, a cota é de US$ 500,00 (quinhentos dólares), e a normativa da Receita Federal limita "até 10 unidades de artigos de toucador". 

Ou seja, a compra não poderá caracterizar comércio ou encomenda, por isso a limitação/proibição de repetir itens...

Mais alguma dúvida? É só comentar!


quinta-feira, 10 de julho de 2014

212 Sexy - Carolina Herrera - Resenha

Vou conquistar desafetas com essa resenha, já sei... Mas não consigo gostar dele!!! Acho que Carolina Herrera não gosta de cozinhar, ou, se cozinha, erra no tempero! É muita pimenta de cara, quase uma agressão (precisava aprender um pouco com o Hot Couture EDP, aquilo sim é pimentinha delícia). Tentou juntar cítricos, com especiarias, com açúcar e baunilha, e ficou uma mistura confusa, uma gritaria... canela demais em bases mal ajustadas!
Mas, o que fazer se no inconsciente coletivo, é sucesso...? Já vi muita moçoila dizendo: "Os homens adoooooram"! (Assim, passar na frente de uma construção surte o mesmo efeito!)
Eu sei que a proposta é exatamente essa: ser sexy. Mas assim como o Lady Million, associo com algo meio ostentação fajuta, quando se quer ser sexy, e força a barra, usa saia muito curta, exagera na maquiagem, faz 'duck face' no selfie... essa é minha impressão do 212 Sexy: descambou para o vulgar e já está ficando batido. O CH EDT (da embalagem vermelhinha) tem algo mais terroso, mais sólido, um contraste doce/amargo, e acho que a camurça o encerra melhor - acaba ficando mais sensual do que essa barra forçada do 212 Sexy. (Embora não faltem críticas ao CH também!)

Eu sei que ele é o queridinho de muita, mas muita gente, só que para mim (e meu pH) não deu! 




www.carolinaherrera.com

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sobre impostos e perfumes: O que torna o perfume caro?

O mercado nacional é bastante hostil com a perfumaria - mas como somos brasileiros, e não desistimos nunca, estamos entre os três maiores mercados da perfumaria mundial! 
Não sei se você lembra, mas há um tempo atrás era difícil ter um perfume importado, muito difícil. Tudo dependia de uma sortuda combinação de um parente ou amigo em viagem ao exterior - em tempos que viagens internacionais eram complicadas e caras - e uns troquinhos a mais de reserva... Aí você encomendava para a boa alma que ia viajar, torcendo para a pessoa achar o dito-cujo, para chegar inteiro, etc, etc... (Ou no meu caso, ia no bom e velho Paraguai e garimpava por ali). 
Ok, os tempos mudaram, a tecnologia está a nosso favor, todos conectados, transportes mais eficientes... Mas por quê raios perfumes continuam tão caros?
Porque a tributação no Brasil é absurda, isso já estamos cansados de saber, inclusive só de olhar com atenção uma nota fiscal já dá vontade de gritar, bem alto, palavrões impublicáveis. 
Esse sistema tributário, para tentar ser justo, se baseia numa equação entre necessidade e utilidade - assim, um produto da cesta básica, é menos tributado que o cigarro: afinal, com qual deles podemos viver sem? Perfumes entram na categoria das vaidades, futilidades, sem os quais é perfeitamente possível viver sem (ora, vejam só!), portanto sua alíquota (a porcentagem do tributo) é altíssima. 
Agora pra tentar entender... Se o perfume é nacional, portanto, produto industrializado, ele pagará o IPI. O Imposto sobre Produtos Industrializados tem uma tabela específica, expedida pela Receita Federal, a TIPI. Ali, todos os produtos da indústria são classificados e suas alíquotas atribuídas (é um documento de quase 700 páginas, atualizado periodicamente). Se for Eau de Parfum, a alíquota é de 42%, Eau de Toilette e Eau de Cologne, 12%, e Desodorante ou Deo-Colônia, 7%. Agora você entende por quê O Boticário e a Natura quase não têm EDP, e quando têm, os preços ficam bem mais altos? 
A isso deverá ser somado: ICMS de 25% e PIS de 1,65% e mais algum imposto municipal, pelo estabelecimento de revenda... 
Agora para morrer de ódio:

- IPI 42% + ICMS 25% + PIS 1,65% + Impostos Municipais = 69,13%

Ou seja, pega seu Malbec, seu Lily Essence, até o Timeless da Avon e... tcharan: quase 70% do que você pagou nele, vai pra Receita (Federal, Estadual e Municipal). 
Pra deixar tudo mais legal e bonito, para proteger a indústria nacional, se o perfume for importado, ainda tem o Imposto de Importação (II) e COFINS. Joga mais 9,5%, aproximadamente - e quase 80% do seu Lou Lou vira imposto! 

Ah! Não confundir com as taxas de importação, que são aduaneiras, das situações em que você compra em sites internacionais (strawberry, sephora, fragrance.net). Ali valerá a regra de importação por pessoa física (aquela loteria de acompanhar o pedido, e ver se vai ganhar uma 'mordida' no terminal alfandegário). O mesmo caso é quando você volta de viagem, ou compra em Duty Free - a regra aplicável também será aduaneira. 


Imagem: www.bussinessinsider.com

E aí, vamos fazer um abaixo-assinado para o governo reduzir o imposto dos perfumes? (Para mim, continuam sendo artigos de primeira necessidade!!!)



quarta-feira, 2 de julho de 2014

O ícone - Chanel nº 5 - Resenha

Quando uma história é contada muitas vezes, vai ganhando aquela aura de lenda, em que já não se sabe mais o que é verdade e o que não é... Chanel nº 5 é lenda, é icônico, um divisor de águas na história da perfumaria, que se confunde com a própria biografia de Coco Chanel. "Um perfume com cheiro de mulher", é o que se conta do seu pedido ao perfumista Ernest Beaux, que mistura o otimismo pelo fim da 1ª Guerra Mundial, a infância triste em orfanatos, a juventude na boemia parisiense - cantando "Mon chien Coco" - a rejeição de seus amores e da sociedade pela falta de sangue-azul. Esta complexidade de sentimentos está expressa no famoso nº 5.
Nada traduz mais a alma feminina, em suas oscilações de humor, em sua vontade de ser admirada, parecer limpa e imaculada para a maioria e sedutora para poucos...
A abertura em aldeídos preenche o ambiente. Atualmente o aldeído tem cara de 'antigo', mas tendo em conta que a fórmula está prestes a completar um século, imagine o quanto inovadora não foi a descoberta deste componente capaz de destacar o aroma floral. Flor de laranjeira e limão verde a deixam cítrica e limpa, clara como espuma de sabonete, traduzindo a obsessão de Madame Chanel pela limpeza (obsessão essa adquirida no orfanato de freiras no qual cresceu).
Para dar corpo, a delicadeza das rosas e a opulência quase erótica do jasmin, contornada por lírios em profusão, naquela sensação de arranjo de flores sobre a mesa do vestíbulo: intimista e lindo de ver. E ao final, para humanizar, trazer o calor da 'mulher de verdade', uma combinação estratégica entre âmbar, patchouli, baunilha e civeta, que aproxima ao toque e recende a carinho de pele. 


www.chanel.com/pt

Falar mal de Chanel nº 5 é quase igual falar palavrão: deselegante e desnecessário. Se o legal agora é ter cheiro de mingau ou chiclete, ok... mas compreenda um contexto! Imagine, nos anos 20, uma Europa efervescente, uma estilista em busca de sucesso e ascensão, uma época em que cosméticos eram preciosos, e os perfumes usados às gotinhas. 
PS - Se Marilyn o escolheu como 'pijama', é porque alguma (ou muita coisa tem)! E Marilyn jamais estaria errada!