sexta-feira, 27 de junho de 2014

Um drink na praia - Dolce Gabbana Light Blue - Resenha

Dia desses viajei para o Rio, fugir do frio e da chuva que resolveram estacionar aqui pelo Sul, visitar irmã, aproveitar feriado prolongado, ver a baguncinha da Copa... Que perfume levar? Pensei no jargão preferido dos turistas gringos: "One 'caipirinha', please?", algo que combinasse com sol e praia, chapéu panamá e bermudinha... hummm, já sei: Dolce Gabbana Light Blue. 
Ele é efervescente, e ao mesmo tempo delicado e elegante, aquela malandragem de terno branco alinhado... Abre em limão maduro, maçã verde e campânula, fresquinhos, fresquinhos. Bambu, mais maçã em casca e rosa em pétala. E para segurar essa frescura toda? Cedro... na sua versão mais limpa (que até lembra o Cedrat, da Roger & Gallet) e um 'tiquinho' de almíscar. É o eleito de muitas brasileiras como seu office scent, mas acho um pecado usá-lo com roupas formais - fica meio equivocado, LB pede o clima "um banquinho e um violão", happy hour... 
É o céu azul-claro das praias mediterrâneas. Um acerto e tanto, com quase 15 anos de sucesso!
Projeção suave e duração mediana. Em pH ácido, predominam o limão e as notas florais, em pH alcalino, a maçã e o cedro.

www.dolcegabbana.com/beauty

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Festival de Sabores - Chinatown de Bond nº9 - Resenha

Banana caramelada, spring roll, yakissoba, pato de Pequim... Hummm, um almoço tipicamente chinês, naqueles estabelecimentos duvidosos que a vigilância sanitária passa longe, e uma enigmática vovozinha atende no balcão, sem falar seu idioma, mas entendendo tudo. Calor, cor e sabor - esse é o Chinatown.
Ele é cremoso, saboroso, denso e complexo. De uma criatividade fora do comum, onde o doce vira agridoce e depois apimentado. Há quem reclame do preço, mas acho que vale, porque ele dura muito, projeta, fica na roupa e em todo lugar.
Abre em flor de pessegueiro, sumo de tangerina e flor de laranjeira, que dá uma sensação inusitada - realmente agridoce. No coração, muita tuberosa e oriza, naquela forma quente e úmida, que a baunilha deixa melada, grudenta, como calda de lamber os dedos. Depois de 9, 10 horas (isso mesmo, duração absurda) fica um amadeirado complexo e especiado, como aqueles móveis repletos de gavetinhas, que guardam mil especiarias, chás e temperos. Ainda que discordem, eu o considero oriental gourmand, porque tem sabor, textura. E compartilhável? Bem... vai depender do desprendimento dos moços aventureiros, talvez um pH neutro para ácido o aceite bem, e deixe menos 'floral' - mas como julgar uma experiência sensorial? 
Projeção potente e duração longa - pasme: 12 horas sem perder a pose!





www.bondno9.com

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Perfumes “Tester” ou “Demonstration”

O que vou escrever agora vem da minha vivência, trabalhando em comércio exterior, quando aguardava ansiosamente a chegada dos carregamentos de perfumes da Europa ou Estados Unidos para conferência antes da entrega. Então o conhecimento aqui é muito mais empírico do que teórico, mas alguma coisa dá para “desvendar”!
Os perfumes vêm da Europa/EUA em carregamentos aéreos, nunca marítimos, pois a fragilidade dos produtos não permite que fiquem dois, três meses em contêineres, na umidade e no manuseio sem cuidado típico dessa modalidade de transporte. São geralmente carregamentos pequenos (pagos por quilo, e não por volume), em acondicionamento térmico controlado e caixas revestidas, com dezenas de adesivos indicando: frágil/fragile/handle with care, etc...
As caixinhas são encaixadas à perfeição, para que não balancem ou se desloquem na caixa maior durante o transporte, e quando chegam, são fotografadas e conferidas uma a uma para verificar se houve quebras ou avarias. Todas as caixas vêm embrulhadas em celofane e seladas (se comprar um perfume, e a caixa vier sem plástico e selo externo, desconfie de falsificação), para que não amassem ou sujem de poeira. De cada carregamento, uma porcentagem (de 1 a 4% do total enviado, geralmente) são os testers – dependendo do pedido do distribuidor local.
Testers são os frascos que ficarão expostos na prateleira da loja para que os clientes provem o perfume antes da compra. Como não exigirão a mesma preocupação com a embalagem final de venda – afinal, têm apenas a função de mostruário – o acondicionamento não tem o mesmo esmero: poderão vir em caixa não lacrada, até mesmo sem identificação visual característica, ou sem a tampa (nunca sem o vaporizador). Isso porque o uso, inicialmente, é destinado ao lojista, para a complementação das vendas, para que não tenha quebras de estoque ao oferecer o perfume para o cliente conhecer e provar. 
Essas características criaram um clima de “lenda” sobre os testers, e aqui vai uma ajudinha para diferenciar mitos e verdades:

O tester vem em frasco e caixa diferente do perfume normal?
O frasco é sempre o mesmo, mas como tester, deve ser identificado como tal: haverá um adesivo, uma gravação no frasco que o caracterize. Já quanto à caixa, ela é gralmente diferente da original (uma caixa simples de cartão/papelão, só com a identificação de fórmula e produto), ou mesmo sem caixa.

O tester é mais/menos concentrado que o perfume normal? É mais forte ou mais fraco?
Isso é mito! Não valeria a pena para o fabricante alterar a fórmula original para uma porcentagem tão pequena de produtos. O que acontece é: como os frascos geralmente ficam expostos sem tampa, sem o mesmo cuidado de armazenamento, podem ocorrer alterações na cor e no volume líquido, devido a exposição à luz, evaporação e outros fatores – dando a impressão de composição diferente.

É proibida a venda do tester?
A função inicial não é a venda, mas sim a exposição para facilitar a venda dos perfumes normais. Assim como um móvel, uma roupa ou um sapato de mostruário/vitrine sofre um desgaste maior pelo manuseio intenso e exposição contínua, o mesmo acontece com o tester. Caso o lojista tenha testers disponíveis, ele não está impedido de vender – mas que seja ético em avisar essa condição. Por isso o tester costuma ser um pouco mais barato.

Minha última experiência na compra de tester, foi o Escada S – que, como tantos outros bons perfumes, foi descontinuado. Achei um ou outro no E-Bay, de 30ml, estava pensando se comprava ou não, eis que acho na Império Perfumes em Ciudad del Este, o tester de 90ml. Pechinchei, contei uma história triste... e acabei comprando com um desconto amigo! Como tenho ainda o frasco original (está lá, guardadinho, porque estava com medo de nunca mais sentir esse cheirinho querido!) faço o comparativo entre os frascos nas fotos abaixo.
E aí? Mais alguma dúvida sobre testers??? 


À esquerda, o tester, identificado e sem a tampinha, e à direita o frasco normal. 
A cor do líquido e o aroma são iguais.


 A identificação está em ambos os lados (Demonstration - face frontal / Tester - face posterior)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Um elefante, incomoda muita gente, mas Kenzo Jungle incomoda muito mais! - Kenzo Jungle l'Elephant - Resenha

Minha pele é difícil, beeeem difícil. Uma vez fiquei em função de achar um perfume para mim, que ficasse muito tempo, não fosse doce, nem "do balaio" (perfume de modinha, assim, sabe? - É, eu já fui muito preconceituosa!) e que me acompanhasse por muito tempo. Tomei um banho com sabonete neutro, passei um 'cold cream' sem perfume da farmácia de manipulação e fui ao Duty Free em Puerto Iguazu [momento "eu confesso": confesso que vou ao Duty Free bater perna, testar perfume e tomar café com medialunas! Podem me julgar...]
Borrifa um aqui, um no pulso, outro no blotter, outro no antebraço, e, quase no cotovelo borrifei o Jungle l'Elephant. Pausa para o café com medialunas, para pensar no assunto, esperar as devidas evoluções de cada um... Um gole de café, para limpar o olfato e o paladar, e... opa! Cardamomo! Cravo! Canela! Alcaçuz! Mas isso é café ou tchai indiano?
Era o elefante saindo da mata. Ao contrário da peça publicitária, ele não é um elefante africano do deserto, ele é um elefante indiano do templo, cercado de folhas, especiarias e oferendas. O tempero vendido aos punhados no mercado. O calor sob medida para um dia frio.
Coloquei um frasco de 100ml na cestinha, juntamente com o já resenhado Hot Couture EDP, e saí feliz da vida: acheeeei! Achei o perfume que eu tanto queria!
Há quem reclame que sente a manga em demasia, mas em mim é notinha coadjuvante, o que pega mesmo é o cravo, o alcaçuz e o cardamomo - a baunilha fica beeeem para o final. É ótimo para o frio cinzento de junho, no meio das camadas e camadas de casacos e cachecóis... mas com cautela, para não ser o terror do elevador, ou estragar a amizade com as colegas do trabalho! 
Tenho paixão declarada por esse elefantinho, de projeção e fixação potentes, muito potentes! 


Imagem: www.kenzoparfums.com