quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Hot Couture de Givenchy - Resenha

Ai que saudade do tempo em que não imperava o politicamente correto! De quando se ia para a balada, se esbaldava, voltava de maquiagem borrada, pés doendo de tanto dançar, e cheiro de fumaça de cigarro impregnado na roupa e no cabelo. (Não, isso não me incomodava!)
Agora está tudo tão asséptico: motorista da rodada, proibido fumar, ar-condicionado para não estragar os cabelos das madames... Soooo boring! 
Pelo menos tem o Hot Couture para me consolar! 
Ele tem uma entrada cítrica, azedinha, de limão e laranja. Passa rapidinho por um vetiver, magnólia e framboesa, e quando chega no ápice, torna-se uma pimentinha ardida e audaciosa, para terminar em um sândalo crepitante com tabaco. Dançou, causou, e agora volta, lindamente descomposta, para casa. 
É elegante e divertido, não é para o tipo baladeira que dá vexame... Fica ali, umas horinhas, brincando com as pedrinhas de gelo e bebendo aos golinhos um whisky, até chegar a hora de arrasar na pista. 
Fixação e projeção respeitáveis, nada intrometidas, fazem dele uma opção jovem e interessante.


Meu primeiro perfume

Era verdinho, tinha uma tampa branca em formato de bolinha, o vidro era fosco e se chamava Quiquinette Quiquinous. Nunca mais vi... Ganhei da minha mãe, e eu usava com enorme parcimônia e economia, porque não sabia quando ganharia outro. Foi presente de Natal, lembro (pelo papel do embrulho) que ela comprou em uma loja chic no Paraguai - só assim para criança pequena ganhar perfume importado. 
Tinha algo de alfazema, chá e lavanda, um toquinho de hortelã, musgo branco e vetiver. Ficou tempos na minha penteadeira, até chegar um Angelical Touch e eles conviveram sem problemas. Depois fiquei mais ousada, usava o Ops! Azul, que diziam ser para meninos, mas eu gostei muito, e daí? Logo chegou o meu début, e aí vieram dezenas de perfumes para escolher...

Mas de verdade? Estaria disposta a pagar muito bem se encontrasse o Quiquinette Quiquinous outra vez.

PS - Quando bebezinha, segundo minha irmã mais velha, meu cheirinho era de Davene Snoopy amarelinho - mas isso eu já não lembro.

PS 2 - Não encontrei uma imagem do frasco, só encontrei a logo (em preto e branco)


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Eu sou rica! Rica! - Lady Million de Paco Rabanne - Resenha

Eu sei, eu sei... em tempos de Rei do Camarote, champagne que pisca, pisca, pisca e funk ostentação, Lady Million será o retrato de uma época. Mas de momento, ele é a nova-rica, e poderia muito bem ser chamado de "Lady Kate" (a personagem hilária da Katiuscia Canoro). Por quê? Pega a neosa (porque vai dar dor de cabeça) que eu te explico: seria pelo frasco dourado, escandaloso? Pelo neroli espalhafatoso e pelo mel viscoso - que gruda, como voz melosa? Pelo nome kitsch que caracteriza o par "Million"? (lembre-se que o masculino tem o formato de uma barra de ouro, que vale mais do que dinheiro - Maôeeee Silvio!)
Desculpe, eu antipatizo com ele. Nada pessoal, questão de princípios. Como boa perua, ele grita, usa oncinha com scarpin de verniz vermelho, carrega um chihuaha na bolsa - de grife, porque é rica, não esqueça - e gesticula no elevador. Até tenta uma elegância, com uma florzinha de laranjeira, mas é tão coadjuvante, como aquele arquiteto de bom senso que recomendou não misturar moldura rococó com espelho na sala. Mas não adianta, o negócio é causar. É gritar e dar risada, estourar champagne no camarote da balada mais in da cidade, competindo com o 212 Sexy da "inimiga" ao lado. 
Desculpa querida, nem um milhão consegue comprar elegância! Peça uns conselhos sobre comportamento para o sábio Calandre... aquele sim, tem berço!

          O casal novo-rico!

Este post contém link do parceiro Glio (www.glio.com.br) 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Naughty Girl - Insolence de Guerlain (Resenha)

Quem não se lembra de quando a mãe colocava de castigo, por ter sido malcriada, mostrado a língua e feito pirraça? Por ter comido todas as jujubas e ficar com dor de barriga? Se não lembrar, borrife o Insolence no pulso, que já já você lembra.
Ele explode, em nuvens de glitter, ki-suco e bala Sete Belo (olha a framboesa safada, aí!). Mas como é menina de família, de meias 3/4 e saia plissada, leva rosas, flor de laranjeira e inocentes violetinhas. Na mochila, tem papéis de carta (íris, muita íris) com declarações de amor que durarão aquele "para sempre" de três dias... Um bocadinho de resina e fava, só para servir de pavio para essa explosão toda. É pretensioso, desaforado e engraçado! Mas pede, sim, uma posição adulta e comedida ao usar (uma borrifada embaixo da roupa, e só!), e tem aquele atrevimento, de piscadinha de canto de olho, que agrada demais. É malandro, não é boboca estilo Prada Candy, lembra maria-chiquinha, pirulito e saia colegial, bem no estilo "naughty girl", daquelas que botam fogo na tradicionalíssima escola de freiras. E por fazer parte desse mundo aristocrático, consegue sustentar o sangue-azul Guerlain! Genial!