sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

20 anos atrás... - Moschino de Moschino EDT - Resenha

Pega o batom vermelho e seu estojo de maquiagem. Agora uma generosa dose de mousse, e arma um topete no cabelón. Dá um play na sua BASF com o último sucesso da Madonna, que em seu sonho na Isla Bonita fez todo mundo dançar. Muito lamê, babados e ombreiras, brincos de argola e pedrarias. Estamos em 1987.
A moda é uma hipérbole, em seu excesso de informações e referências que saltam aos olhos e confundem os sentidos. Franco Moschino e suas criações coloridas e irreverentes se consolida como ícone fashion neste contexto over - e sua primeira criação na perfumaria fala este idioma. 
 
 É disso que estou falando!

Moschino de Moschino EDT - sim, é EDT! - tem uma potência típica das fragrâncias oitentistas, em seu bling-bling dourado, rastro poderoso e dezenas de acordes pungentes bem combinados. Um clássico cravo apimentado, que aos poucos vai acalmando para revelar rosas amaciadas pelo tom atalcado e elegante, com os calores do sândalo que para muitos remete ao Obsession de Calvin Klein. Realmente tem o fundo amadeirado e denso, a mesma sensação de envolvimento e densidade do Obsession, porém com algumas nuances e flashes mais florais e adocicados. Assim, fica mais explosivo e polvoroso, menos soturno, mantendo uma aura sexy e atrevida de quem não quer passar despercebida(o). 
 

Comprei em um blind, e não me arrependo. Apesar de forte e talcado (amo!) já ganhou ares atemporais, e como é uma criação bem feita e bem executada, terá sempre lugar cativo na prateleira, para aquelas ocasiões que uma bomba é bem vinda, e que não se está no espírito dos aldeídicos. 
Não precisa nem mencionar fixação e projeção, ambas potentes. Deixa rastro, fica na roupa e na memória.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Sunny days - Roberto Cavalli Acqa EDT - Resenha

Como é início do ano, e geral tá postando em suas redes sociais aquele mooooonte de fotos felizes, em praias paradisíacas, entre vestidos brancos, taças de espumante e pernas para o mar, vamos falar desse lindinho que passa férias em Trancoso ou Jeri, sem abrir mão da bolsa grifada, do dourado e do glamour. 
Acqua de Roberto Cavalli pode ser considerado uma versão mais leve, aquática e vaporosa, que adiciona frescor ao dulçor floral de jasmins e flor de laranjeira do Roberto Cavalli EDP (aquele do frasco dourado, sabe qual?). Fica mais descontraído, fresh, retirando a pimenta - para muitos, incômoda - e a baunilha de fundo, que cede seu espaço para os acordes almiscarados. É chique e menos aparecido, não é para o público 'piscinão' - tanto pelo preço quanto apelo.


Imagem: robertocavalli.com

Um cítrico frutal de maracujá fresco e limão marca uma entrada fizz, que logo casa ao floral, dando ares tropicais e festivos, evoluindo para as melífluas flores de laranjeira e pétalas brancas. Logicamente, a efemeridade cítrica-floral-aquática retira um pouco da duração, não espere aquele efeito prolongado, que gruda até os ossos - até porque ficar até o fim da festa é o erro. Aproveite-o enquanto o drink ainda está gelado, a brisa está gostosa e o papo está animado!
Santé!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Sutil elegância - V Pour Elle EDP de Vivara - Resenha

Uma boa criação. A joalheria Vivara conseguiu marcar presença e ampliar mercado com a linha de joias de prata Life, voltada a um público jovem e àquelas pessoas que sonham com uma peça da marca, sem, contudo, desembolsar valores acima de quatro dígitos. O branding esperto em shopping centers também funciona, sem tirar o prestígio e o glamour de joalheria e seus objetos de desejo. A fragrância feminina V Pour Elle, em versão Eau de Parfum, traduz bem este espírito da marca, com delicadeza e elegância.
Classificado como "floriental", tem os mesmos lírios do Allure Sensuelle EDT da Chanel, flores cálidas e melífluas, algo morno, com vapores ambarinos e frutal adamascado. O fundo de madeiras resinosas garante distinção, formando um acorde adulto e elegante, que repousa bem na pele.
O valor, para o mercado nacional (R$ 210,00), empata com Elysée d'O Boticário e demais promessas de EDP, que encaram os pesados quarenta e tantos por cento de tributação. Ou seja, é belo, é elegante, mas, quem tem acesso a importados grifados, talvez prefira outras opções.

Imagem: vivara.com.br
 
E, uma observação: o frasco poderia ser mais caprichado. A tampinha, em um plástico cheio de rebarbas e arranhões (ao menos no meu estava) tira pontos, em algo que deveria transmitir o luxo e a distinção da marca Vivara. Merece uma atenção maior.
Mas ainda assim, vale o teste. Nas lojas físicas, as vendedoras sempre simpáticas e bem treinadas costumam apresentá-lo com entusiasmo. A pausa no passeio certamente será válida.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Closing time - Close de GAP EDT - Resenha

Que lindeza! Perto. Fique perto, assim, pertinho, de conchinha. Perto como nenhum aplicativo é capaz de deixar, como nenhum facetime permite. Perto. 
'Closing time, open all the doors' - Close tem cheirinho de creme aveludado pós banho, com um toque de pele morna, quase salgado. Tem cheiro de camiseta do(a) amado(a). 
Levemente amendoado e cremoso, mas ao mesmo tempo limpo e almiscarado. Aquático, floral - pode isso? Uma sinfonia baixinha, intimista, bem equilibrada e nada monótona. Uma gota translúcida escorrendo na pele. Perto, muito perto. 
'I know who I want to take me home.' Levá-lo para casa é fácil, uma borrifadinha e a paixão acontece, como o olhar que se cruza no inusitado, na fila do cinema, no(a) colega de aula novato(a). E não haverá arrependimentos, apenas momentos de ternura e proximidade. Quase cândido, mas tão humano.
 

 Duração de 6 horas, o que para EDT é considerável, mas sempre de pertinho. Querer rastro nessas circunstâncias seria absoluta tolice, para merecer conhecê-lo é necessário um abraço, precisa estar perto. 
'Closing time, every new beginning, comes from some other beginning's end.' - como a canção fofinha do Semisonic, tem clima de abraços e carinhos.



quarta-feira, 6 de julho de 2016

Sussuros e arrepios - Untold EDP de Elizabeth Arden - Resenha

Belo e elegante, embora não tanto criativo. É uma construção boa - como Beth sabe fazer - e é muito fácil de agradar. É sussurro, segredo, algo velado, mas não necessariamente misterioso. Untold é curinga, vale a pena ter no armário - e em tempos de crise ele tem um preço bem amigo.
Abre com um jasmim amplo, abacaxi e cítricos adocicados. Caminha entre sumo de frutas vermelhas sour, e tem em seu coração peras maduras e flores brancas untuosas, com cremosidade. Fundo morninho, com patchouli e notas ambarinas. Tem uma pontinha do aroma caloroso, algo de protetor solar, meio cosmético, no meio desse doce floral/frutal, que impede a monotonia. 

Imagem: elizabetharden.com


O frasco é muito bonito, elegante e romântico, um coração de cristal facetado. Boa proposta para mulheres jovens e modernas, mas que guardam uma faceta romântica em sua personalidade.
Já o tenho há três anos, e ainda não havia falado dele, veja só! Duração de cerca de 5/6 horas, projeção controlada e de presença agradável.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Sofisticada simplicidade - Lavanda e Algodão de Mahogany - Resenha

Este é um dos meus perfumes conforto. Meu e só meu. Não é para deixar rastro, é bem egoistinha da minha parte: quero essa ternura empoada só para mim, aqui pertinho... 
É curiosa a tendência do conceito olfativo do algodão. A linha Natura Tododia tem uma proposta assim, GAP tem seu Washed Cotton #784, Korres Pure Cotton, Mary Kay Simply Cotton... Alguns vão pelo caminho da roupa lavada, mais ou menos almiscarado, outros para a fofura e a secura, como a impressão do algodão em tufos, branco e fofinho. Lavanda e Algodão da Mahogany segue uma trilha levemente diferente e, para mim, mais interessante. Pega a secura do campo de algodão - como aquelas infindáveis 'plantations' sulistas americanas - e a secura da lavanda colhida, perdendo a cor aos poucos. É mais empoado, sem aquela lavanda adstringente picante, é morninha, atalcada. 
Absolutamente compartilhável, pegue e use, sem rótulos de gênero específico para o cheiro bom. Sândalo, madeira que traz calor, vetiver em palha e o almíscar que dá a carinha 'limpa e fofa' de algodão fecham essa que é a mais 'cozy' das fragrâncias.
É a Sabina de Milan Kundera, em sua Insustentável Leveza do Ser. Amiga das artes, do bom gosto e do refinamento, em seus vínculos que não cobram amor e apenas apreciam o bom momento. A genialidade de Da Vinci, em sua máxima que afirma que "a simplicidade é o último grau de sofisticação". Lavanda e Algodão me embevece da maneira que só o simples é capaz, como criança que olha a corrida de pingos na janela ou a joaninha que pousa no dedo. Para usar com roupa branca, cabelo solto e pés descalços. 



Imagem: mahogany.com.br

terça-feira, 14 de junho de 2016

Take a chance on me! - Chance de Chanel EDP - Resenha

"If you change your mind, I'm first in line" - resenha na pegada do clássico do ABBA (adoro, me julguem!), da época dos casacos de pele, macacões de jersey e sandálias plataformas. Uma fragrância jovem, mas vintage - tem como? Chanel Chance na versão EDP tem flores brancas, um atalcado 'push', frutal sour. Como uma noite disco dos late 70's, é diversão para jovens adultas. Um almiscarado fora do óbvio, pontilhado por polvorosa pimenta e baunilha em fava, que ganha curvas, calor e vivacidade com patchouli. Me lembrou a Sydney, personagem de Amy Adams do divertido filme Trapaça, e seus figurinos, cabelos volumosos, elegantes e na moda. 

Imagem: http://lavestuarista.com.br/


Chance tem tino comercial, tem público alvo bem direcionado e proposta estética esperta. 


Imagem: chanel.com/pt_BR


"Honey I'm still free, take a chance on me" - Se joga na pista, baby!