quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Açúcar, tempero e tudo que há de bom! - Lolita Lempicka de Lolita Lempicka EDP - Resenha

Como a receita para fabricar meninas, Lolita Lempicka é um mimo! Junta açúcar, temperos e tudo que há de bom, numa sintonia maravilhosa, em que nada some ou aparece demais. Já vi pessoas definindo a poção da maçãzinha como "cheiro de Natal", "cheiro de fadinha" ou "cheiro de confeitaria". E pode ter todas essas leituras, basta perceber a qual nota está dando mais atenção.
É cheiro de Natal que passa pela sua cabeça? Talvez seja o alcaçuz, anis, cereja e pralinê? Aquela festa colorida de guloseimas, pinheiro, presentes e corre-corre, para muita gente tem um cheiro específico, feliz, que evoca memórias.
Se você é da turma do "reino encantado" de fadinhas, unicórnios e duendes, as notas florais tem um quê de jardim dos Sonhos de Uma Noite de Verão: violetas macias e empoadas de pirlimpimpim, heras folhosas, raízes sequinhas e flores de brejo, levinhas e etéreas.
Agora, se o delicioso mundo dos macarons e bolinhos te conquistou, deve ser a baunilha adocicada ou a fava tonka amendoada, um pouco enfumaçada, como receita no forno. Aquele aroma morninho vindo de uma cozinha... hummmm!
Acho uma das fragrâncias doces mais criativas e interessantes, não é aquele doce óbvio. Tem maciez, tem uma aura atalcada e caprichada, tem especiarias e acordes inusitados, fora do açúcar/caramelo puro. Um frasco primoroso e mais de vinte anos de sucesso.
Se você quer um abracinho doce e meigo, com cara de conto de fadas, duração prolongada e projeção comedida, apanhe esta maçã!



quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Spring Fling - Love Lily Eau de Parfum D'O Boticário - Resenha

Um baile de saias rodadas, coques esculturais, ponche geladinho e moços de smoking. Uma elegância romântica, coquete e comedida, mas deliciosamente agradável. Que troca convites para o chá das cinco, que organiza saraus e convescotes. Foi um espírito assim que encontrei no Love Lily. Um mimoso frasco rosa, com novo borrifador (o do primeiro Lily Essence gerou muita controvérsia e reclamação), e uma proposta delicada e floral. Parece que está havendo um "revival floral", não é mesmo?
A primeira borrifada prenuncia um caráter realmente floral com toques frutais delicados, de cítricos cristalinos e algo levemente adocicado, como nêspera. A seguir, uma névoa de pétalas, etéreas, com lírio, jasmim e muita rosa, em tintura, próxima à sensação fervilhante que as frutas vermelhas proporcionam, uma textura como aquele drink piscine, com espumante rosé. Mas logo vai ganhando densidade, e as pétalas ganham maior cremosidade, perdendo a cara de floral fresco para uma face mais resinosa, com sândalo e âmbar - muito suaves - e aquele indefectível musk d'O Boticário.
Boa aposta? Sim, mas não sei se é um floral totalmente inovador. Também tem um certo percurso na evolução que merece teste prévio, para que não haja arrependimento posterior. Se você é adepta(o) de florais românticos, é um lançamento nacional bastante fiel a essa proposta. 
Classificado como Eau de Parfum, em um dia extremamente quente e abafado durou cinco horas, com projeção intensa na primeira hora e meia.



Imagem feita por mim, ainda na loja (valeu Maiara!!!). Ainda posto a do meu, ok? Dêem um desconto para professora em fim de semestre ;) 

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Alegria à la Folies Bergère - Bronze Perfume da Phebo Perfumaria - Resenha

Há quem diga que nada é por acaso. Ultimamente tenho estudado muito sobre Art Déco, em razão de uma pós deliciosa em História da Arte. Se no post anterior falei dos excessos melindrosos de LouLou, agora vou falar de outra bela criação que honra os loucos anos 1920's, mas com mais Garbo (como adjetivo e substantivo). Bronze é reluzente, caloroso e festivo. Já abre em notas alcoólicas de rum, meio licoroso e doce, com toque bitter de bergamota e néroli. A borrifada em nuvem - elogios agora ao frasco e ao borrifador de efeito 'panache' - prenuncia muita festa, calor e dança. Como bom oriental, encontra contornos sensuais e adocicados em heliotrópio, calores de sândalo e um toque resinoso de guáiaco, enfumaçado e misterioso, feminino. Como um espetáculo teatral, cheio de personagens, figurinos, coreografias, Bronze se revela em um caminho complexo, com temas sobrepostos, mas cheios de harmonia e sentido. As notas de fundo dão o gran-finale gourmand: baunilha, fava-tonka, amêndoas e âmbar, quentes e convidativos, em um doce adulto longe dos bolinhos e confeitos. É uma criação nacional digna de aplausos, e a proposta da Phebo é mais que acertada.
Duração de 7 horas, denominado pela marca como Perfume, em uma bela apresentação de caixa e frasco de 100 ml. 





* Comprando um perfume nas lojas Phebo do Shopping Patio Batel (Curitiba) ou do Shopping Leblon (RJ), é possível personalizar o frasco com seu nome. Meu Bronze ficou um mimo, não?


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Paixão Art Déco - LouLou de Cacharel Eau de Parfum - Resenha

Um trintão cheio de pose e respeito. Criação Cacharel que se preza, ame ou odeie, no mesmo caminho difícil de Eden. A sobreposição de camadas e mais camadas, um contraste entre notas brilhantes e estridentes e acordes escuros e misteriosos. Uma ode aos anos loucos e ao excesso. 
LouLou é de 1987, então tava no contexto da ombreira, do dourado e do visual carregado de informação. A proposta inicial seria uma homenagem à Louise Brooks, musa do cinema mudo que na vida real soltava o verbo e incomodava geral. Artista de alma, sem amarras e resistente aos estereótipos, sua morte ocorreu apenas dois anos antes do lançamento de LouLou - seria esta uma homenagem póstuma de Cacharel?
O que passa é: sim, LouLou é uma homenagem, é um perfumão. Um gosto de se dosar às borrifadas. 
Abre em flores grandes, potentes, violeta com cara de maquiagem e algo meio plástico, sintético - a famosa nota de "boneca nova" que muita gente tenta definir. Sua face seguinte conta com muita tuberosa, dama da noite, floral intoxicante e profuso, espiralado. Ao descer, lá pela terceira ou quarta hora - sim, estamos falando de horas! - ganha cremosidade e doçura balsâmica de heliotrópio e adocicado ylang-ylang, sexy, muito sexy. Da quinta hora em diante ganha contornos incensados e picantes, de canela em casca e sândalo - aquele sândalo das bolinhas aromatizadoras que eram vendidas antigamente. A partir daí ganha linearidade, mas ainda assim permanece em uma sinfonia de flores, vapores e tons intrigantes sintéticos "sabe-se lá o quê". 
É perfume de passar só na nuca ou nas costas, ou a famosa borrifada em nuvem. Não sou da patrulha do clima, use o que quiser quando quiser, mas no calor é capaz até que a própria pessoa não o aguente até o fim do dia. É meio malicioso, leva tempo a se acostumar, tem uma manha de Daisy Fay - a complicada paixão de Jay Gatsby. 
Quem usa (ou conhece alguém que usa) LouLou sabe que é perfume-assinatura, aquele que deixa tudo que a pessoa toca com um pouquinho do seu rastro. É uma obra de arte (déco?) em um pequenino frasco azul-turquesa e vermelho, que projeta e fixa como poucos. 



terça-feira, 28 de agosto de 2018

Honey honey, touch me baby! - Prélude S Deocolônia Eudora - Resenha

Honey honey, how you thrill me, ah, honey honey

A música é do ABBA. Sim, do ABBA, me julgue! Relutei em usar essa referência do cafona-kitsch, mas eu confesso que curtir ABBA é um dos meus guilty pleasures - quem nunca? Então, ao invés de me render ao apelo marketeiro da Eudora, em querer empurrar o Prélude S como uma fragrância sensual, eu vou mais para essa coisa divertida da musiquinha 70's que fala de conquista, de beijinhos e de docinhos do que qualquer coisa voltada às lingeries e lençóis de cetim. Porque é, oras!
A marca o classifica como "Oriental Gourmand", com notas lactônicas, mel e amadeirado/musk. É isso? É. Mas não é. Complicado hein...
Na primeira borrifada - boom! Mel, puro mel, vítreo, viscoso, doce. Lembra das balinhas Kid's de mel? Tá aí.


Lembra dessa balinha malandra? A Eudora engarrafou no Prélude S.

Bala de mel. Transparente e cristalino. Não tem cremosidade de leite, adição de especiarias. É mel. Pelo menos para mim. É extremamente linear, começa e termina em mel, daqueles dos mini-pacotinhos que se juntavam em fitas - isso também deve ser lá dos tempos do ABBA!
 É sexy? Sim, daquela maneira mais sapeca, que é docinho, mexe com o paladar. Fora daquele sexy arrasa-quarteirão. É super feminino, e, por mais que tenha corpo e alma gourmand, é extremamente confortável. Talvez até mesmo por ser linear, sem surpresas. O mel de favo, sem aquela coisa meio balsâmica de própolis, resina, xarope... que não é tão fácil de agradar.
Faz a linha Pink Sugar, de ser uma expressão gustativa em forma de perfume, esperto na sua simplicidade e alegria. Combina com climas amenos, mas não chega a desandar no calor, só tem que dosar as borrifadas.
Fixa muito bem - para deocolônia então, nem se fala - coisa de oito horas mesmo! Projeta nas primeiras duas, três horas, mas depois repousa como uma aura doce perfumada.


Honey honey, hold me baby, ah, honey honey!





Imagem: loja.eudora.com.br

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Oh, Popeye... Me salve!!! - Cheap and Chic de Moschino EDT - Resenha

Alô alô amigas do floral e simpatizantes dos acordes amadeirados, venham conhecer essa fragrância que não está no gibi! Uma bela anedota na hora certa, que arranca risadinhas e piscadelas, mas também sabe ser esperta e decidida quando precisa. Cheap and Chic, em sua ironia do DNA Moschino celebra uma ousadia jovem e bem posicionada, de cores vibrantes e escuras, um contraste entre o tom de moça coquete e tom femme fatale. Tudo isso construído em sólidas bases de madeira nobre, almíscar e uma pontinha de tabaco... hummmm!
Tem abertura floral picante, peônias em profusão, cítricos azedinhos e algo meio tinto, como sumo ou seiva de madeira ainda viva. Um desaforo às narinas na primeira borrifada - saído de um frasco para lá de inusitado que já virou metonímia: quem nunca ouviu falar do perfume "Olívia Palito"?
Com o tempo, ganha mais substância com rosas misteriosas, adultas e assabonetadas, como aroma de produtos de beleza um pouco vintage, talco ou maquilagem, além de flores brancas narcóticas. Cresce em uma dimensão mais horizontal, que vai perdendo em projeção e ganhando em mistério, ficando cada vez mais facetado e mais rente à pele.
As notas finais sugerem um interessante mix de ambargris, almíscar e fava tonka em sua carinha mais 'suja', escurecida e enfumaçada, o que pode dar alguns traços de tabaco de cachimbo, com seu quê adocicado, com camadas de alguma flor misteriosa e noturna - seria rosa negra? Orquídeas phalaenopsis? Cravo vermelho? É justamente neste mistério que está o encanto de Cheap and Chic, a ironia de ser simples e grandioso.
Um curinga de prateleira, para quem quer uma proposta sexy, jovem e que transmita elegância e atitude. Fixação excelente e projeção moderada, que valem o investimento.
Popeye, faça alguma coisa!!!


terça-feira, 14 de agosto de 2018

Sob o Sol da Toscana - Floratta L'Amore d'O Boticário Deo Colônia - Resenha

Pega a pipoquinha, coloca o pijaminha e vem assistir filme água-com-açúcar comigo! Se tem filminho gostoso, para esquecer perrengues e tristezas, para pensar em uma volta por cima nessa vida de reveses é Sob o Sol da Toscana. Assistir a Frances se reinventar em um cenário esplêndido, de campos floridos e luzes douradas, refresca a alma e deixa o dia mais leve. 
Hoje testei o lançamento d'O Boticário Floratta L'Amore e imediatamente senti os ares da Toscana, mas o momento mais impactante foi a entrada, o cítrico adocicado de limão siciliano do acorde de Limoncello. No filme, o gatíssimo Marcello (interpretado pelo impecável Raoul Bova - que espetáculo de ator!) dá a receita do tradicional Limoncello em Positano: vodka, limões e açúcar. Essa receitinha fofa aqui:


Bom, Floratta L'Amore tem um acorde cítrico/adocicado/frutado logo na entrada, um espirro de sumo de limão siciliano que borbulha no nariz, mas com doçura, diferentemente dos tradicionais limões das colônias (Roger Gallet Jean Marie Farina, 4711 e congêneres). Tem um quê crocante e suculento de peras e maçãs-verdes, um caldo de frutas maduras - pêssegos, damascos, tangerinas - e um fizz mais azedinho, simultaneamente. 
Cresce em flores brancas de jardim, um coração florido de primavera, delicado e mimoso. E ainda persiste uma doçura de mel de pedúnculo, uma sensação adocicada e levemente alcoólica, ao qual provavelmente a marca tentou imprimir sua receita de limoncello. Funciona de maneira breve, em flashes entremeados às flores. Ao final, o musgo amadeirado/musky, tipicamente O Boticário, indefectível entre as criações da marca, que fica um pouco sabonetinho, shampoo ou produto de banho, para dar a cara limpinha e asseada, terminando a fragrância de forma bem suave e linear.



Projeção: Intensa na primeira hora, porém duração um tanto efêmera. Em mim, durou três horas, e nas duas finais com uma aura floral bem rente à pele. Há que se considerar dois fatores para esta característica: seu perfil cítrico e o fato de ser uma deo colônia. Uma vez que é o lançamento para a primavera que se avizinha, acredito que seja uma proposta adequada para dias de calor. Como o affair de Frances e Marcello - durou exatamente o que havia de durar.