segunda-feira, 11 de julho de 2016

Closing time - Close de GAP EDT - Resenha

Que lindeza! Perto. Fique perto, assim, pertinho, de conchinha. Perto como nenhum aplicativo é capaz de deixar, como nenhum facetime permite. Perto. 
'Closing time, open all the doors' - Close tem cheirinho de creme aveludado pós banho, com um toque de pele morna, quase salgado. Tem cheiro de camiseta do(a) amado(a). 
Levemente amendoado e cremoso, mas ao mesmo tempo limpo e almiscarado. Aquático, floral - pode isso? Uma sinfonia baixinha, intimista, bem equilibrada e nada monótona. Uma gota translúcida escorrendo na pele. Perto, muito perto. 
'I know who I want to take me home.' Levá-lo para casa é fácil, uma borrifadinha e a paixão acontece, como o olhar que se cruza no inusitado, na fila do cinema, no(a) colega de aula novato(a). E não haverá arrependimentos, apenas momentos de ternura e proximidade. Quase cândido, mas tão humano.
 

 Duração de 6 horas, o que para EDT é considerável, mas sempre de pertinho. Querer rastro nessas circunstâncias seria absoluta tolice, para merecer conhecê-lo é necessário um abraço, precisa estar perto. 
'Closing time, every new beginning, comes from some other beginning's end.' - como a canção fofinha do Semisonic, tem clima de abraços e carinhos.



quarta-feira, 6 de julho de 2016

Sussuros e arrepios - Untold EDP de Elizabeth Arden - Resenha

Belo e elegante, embora não tanto criativo. É uma construção boa - como Beth sabe fazer - e é muito fácil de agradar. É sussurro, segredo, algo velado, mas não necessariamente misterioso. Untold é curinga, vale a pena ter no armário - e em tempos de crise ele tem um preço bem amigo.
Abre com um jasmim amplo, abacaxi e cítricos adocicados. Caminha entre sumo de frutas vermelhas sour, e tem em seu coração peras maduras e flores brancas untuosas, com cremosidade. Fundo morninho, com patchouli e notas ambarinas. Tem uma pontinha do aroma caloroso, algo de protetor solar, meio cosmético, no meio desse doce floral/frutal, que impede a monotonia. 

Imagem: elizabetharden.com


O frasco é muito bonito, elegante e romântico, um coração de cristal facetado. Boa proposta para mulheres jovens e modernas, mas que guardam uma faceta romântica em sua personalidade.
Já o tenho há três anos, e ainda não havia falado dele, veja só! Duração de cerca de 5/6 horas, projeção controlada e de presença agradável.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Sofisticada simplicidade - Lavanda e Algodão de Mahogany - Resenha

Este é um dos meus perfumes conforto. Meu e só meu. Não é para deixar rastro, é bem egoistinha da minha parte: quero essa ternura empoada só para mim, aqui pertinho... 
É curiosa a tendência do conceito olfativo do algodão. A linha Natura Tododia tem uma proposta assim, GAP tem seu Washed Cotton #784, Korres Pure Cotton, Mary Kay Simply Cotton... Alguns vão pelo caminho da roupa lavada, mais ou menos almiscarado, outros para a fofura e a secura, como a impressão do algodão em tufos, branco e fofinho. Lavanda e Algodão da Mahogany segue uma trilha levemente diferente e, para mim, mais interessante. Pega a secura do campo de algodão - como aquelas infindáveis 'plantations' sulistas americanas - e a secura da lavanda colhida, perdendo a cor aos poucos. É mais empoado, sem aquela lavanda adstringente picante, é morninha, atalcada. 
Absolutamente compartilhável, pegue e use, sem rótulos de gênero específico para o cheiro bom. Sândalo, madeira que traz calor, vetiver em palha e o almíscar que dá a carinha 'limpa e fofa' de algodão fecham essa que é a mais 'cozy' das fragrâncias.
É a Sabina de Milan Kundera, em sua Insustentável Leveza do Ser. Amiga das artes, do bom gosto e do refinamento, em seus vínculos que não cobram amor e apenas apreciam o bom momento. A genialidade de Da Vinci, em sua máxima que afirma que "a simplicidade é o último grau de sofisticação". Lavanda e Algodão me embevece da maneira que só o simples é capaz, como criança que olha a corrida de pingos na janela ou a joaninha que pousa no dedo. Para usar com roupa branca, cabelo solto e pés descalços. 



Imagem: mahogany.com.br

terça-feira, 14 de junho de 2016

Take a chance on me! - Chance de Chanel EDP - Resenha

"If you change your mind, I'm first in line" - resenha na pegada do clássico do ABBA (adoro, me julguem!), da época dos casacos de pele, macacões de jersey e sandálias plataformas. Uma fragrância jovem, mas vintage - tem como? Chanel Chance na versão EDP tem flores brancas, um atalcado 'push', frutal sour. Como uma noite disco dos late 70's, é diversão para jovens adultas. Um almiscarado fora do óbvio, pontilhado por polvorosa pimenta e baunilha em fava, que ganha curvas, calor e vivacidade com patchouli. Me lembrou a Sydney, personagem de Amy Adams do divertido filme Trapaça, e seus figurinos, cabelos volumosos, elegantes e na moda. 

Imagem: http://lavestuarista.com.br/


Chance tem tino comercial, tem público alvo bem direcionado e proposta estética esperta. 


Imagem: chanel.com/pt_BR


"Honey I'm still free, take a chance on me" - Se joga na pista, baby!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Na luz âmbar da tarde - L'Instant de Guerlain EDP - Resenha

A hora do ocaso, em que o céu se tinge de tons cálidos, alaranjados, ambarinos. O momento de parar e contabilizar o saldo do dia, entre ganhos, perdas, estafa, encontros e desencontros. A hora de livrar-se de roupas e sapatos incômodos, meias-calças e camisas que amarrotam. A hora de ser você, absorta em pensamentos, desacelerando com a tarde que cai. 
No inverno a luz é âmbar. Diferentemente do verão e seus pores do sol sanguíneos, rapsódia de nuvens róseas e violáceas, o crepúsculo invernal é mais rápido, mais dourado. O vento gelado leva embora todo traço de nuvem, e, sólido, o céu cintila os primeiros pontos de estrelas frias. 
Hora de aninhar-se em manta de cashmere, de saborear amêndoas à beira da lareira, aquecer-se com chá adoçado com especiarias e mel. Instante mágico e íntimo, um pequeno agrado para se presentear. 
L'Instant é dessas obras com todo o DNA Guerlain: bela, bem feita, completa. Um oriental morno, almiscarado, aquecido por amêndoas, mel e benjoim. O toque empoado do inconfundível 'guerlinade', que traz conforto e dosa o dulçor com maestria, deixando-o rente à pele. Abre em alguma fruta madura, mas suave - na pirâmide olfativa consta maçã. Maçãs vermelhas lustras e graúdas, daquelas que ao bater na casca fazem um som oco e abafado, meio granulosas, sem nada de acidez. Um corpo de flores brancas melífluas, suaves e amanteigadas. É um elixir de conforto para dias frios, deleite egoísta, que aparece suavemente em um abraço ou um movimento, para ser compartilhado apenas com quem o merece.
Duração longa - cerca de 9 horas, projeção comedida e rente à pele. Perfuma roupas, casacos e echarpes de maneira encantadora, sendo perfeito para dias frios. 

Imagem: guerlain.com

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Eterna primavera - Esta Flor Íris e Esta Flor Rosa de Natura - Resenha dupla

Perfumaria nacional dando as caras novamente. A Natura, por Verônica Kato, traz a tendência 'solinote' em duas construções belas e bem feitas: Esta Flor Íris e Esta Flor Rosa.

O primeiro, uma leitura da mais malandra das flores, a Íris, que pode passar tanto impressão de secura atalcada quanto de umidade de raiz. Aqui, trabalhada no segundo caminho, de leve frescor de natureza, limpeza, banho de riacho, beirando o aroma verde que o mercado brasileiro associa ao universo masculino - avivado com doses patchouli. Uma dose de limão e vetiver são responsáveis por esta face unisex e cristalina, que evoca uma sensação de elegância sutil e otimista. 
O segundo, uma rosa pura e crocante, orvalhada, jovem. A leve doçura de frutas geladas, citrinos brilhantes e pétalas delicadas de flores primaveris: peônias, violetas e amores-perfeitos. Um amanhecer de flores desabrochando, entre botões e caules verdes, evoluindo a um amadeirado leve e confortável. Ambos femininos, mas uma feminilidade segura e tranquila, de quem já aprendeu a apreciar a própria companhia e prioriza agradar a si ao invés de agradar o outro. É um deleite rente à pele, remansado, com projeção muito bem calculada e duração razoável (é classificado como deo-parfum). Belo frasco, belas cores, muito embora o preço - para o contexto nacional - possa assustar.
Imagem: natura.com


Me despedindo, com um empréstimo de Castro Alves, elogio a beleza desta dupla:

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Agora fiquei doce, doce, doce... - Pink Sugar EDT de Aquolina - Resenha

Entre entusiastas e inimigos do frio, fico no segundo time. Sofro demais nessa estação: tesa, encolhida e encasacada, aguardo com paciência para que o Sol volte em sua potência. Porém, nem tudo é tristeza e sofrência, o frio dá a possibilidade de usar o Pink Sugar sem medo. Somente no frio ele revela sua melhor face, que, assim como um bom chocolate quente, no verão perde toda sua delícia e pode se tornar um verdadeiro pavor. 
Aquolina entende de doce - toda linha 'sugar' consegue captar uma face gustativa deliciosamente especial, ora mais cremosa, ora vítrea caramelada, ora chocolate crocante. Pink Sugar tem o aroma da máquina de algodão doce em funcionamento, derretendo o açúcar e construindo um sem fim de fios, um aglomerado de delícia, um caramelo fino, fino, que estica até virar fio e se reunir em nuvem de doçura. Egeo Dolce bebeu dessa fonte, mas adicionou doses enormes de framboesa. Pink Sugar é caramelo puro, inclusive o aroma 'queimadinho', um enfumaçado transparente que mesclado ao doce traz calor e curiosidade. Isso o deixa menos sticky, menos grudento. 
Sua evolução - sim, um doce que evolui, veja só! - o leva para uma cremosidade de doce de leite uruguaio/argentino, bem escurinho, quase bala toffee (o sândalo leitoso o deixa assim) com alcaçuz, na doçura ao estilo Lolita Lempicka, de bengalinhas listradinhas típicas do Natal. Somente no frio esse doce todo faz sentido, traz conforto... então guarde-o para aqueles dias de tempo sisudo, casacos pesados e cachecóis enrolados. 


Imagem: aquolina.it