terça-feira, 14 de junho de 2016

Take a chance on me! - Chance de Chanel EDP - Resenha

"If you change your mind, I'm first in line" - resenha na pegada do clássico do ABBA (adoro, me julguem!), da época dos casacos de pele, macacões de jersey e sandálias plataformas. Uma fragrância jovem, mas vintage - tem como? Chanel Chance na versão EDP tem flores brancas, um atalcado 'push', frutal sour. Como uma noite disco dos late 70's, é diversão para jovens adultas. Um almiscarado fora do óbvio, pontilhado por polvorosa pimenta e baunilha em fava, que ganha curvas, calor e vivacidade com patchouli. Me lembrou a Sydney, personagem de Amy Adams do divertido filme Trapaça, e seus figurinos, cabelos volumosos, elegantes e na moda. 

Imagem: http://lavestuarista.com.br/


Chance tem tino comercial, tem público alvo bem direcionado e proposta estética esperta. 


Imagem: chanel.com/pt_BR


"Honey I'm still free, take a chance on me" - Se joga na pista, baby!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Na luz âmbar da tarde - L'Instant de Guerlain EDP - Resenha

A hora do ocaso, em que o céu se tinge de tons cálidos, alaranjados, ambarinos. O momento de parar e contabilizar o saldo do dia, entre ganhos, perdas, estafa, encontros e desencontros. A hora de livrar-se de roupas e sapatos incômodos, meias-calças e camisas que amarrotam. A hora de ser você, absorta em pensamentos, desacelerando com a tarde que cai. 
No inverno a luz é âmbar. Diferentemente do verão e seus pores do sol sanguíneos, rapsódia de nuvens róseas e violáceas, o crepúsculo invernal é mais rápido, mais dourado. O vento gelado leva embora todo traço de nuvem, e, sólido, o céu cintila os primeiros pontos de estrelas frias. 
Hora de aninhar-se em manta de cashmere, de saborear amêndoas à beira da lareira, aquecer-se com chá adoçado com especiarias e mel. Instante mágico e íntimo, um pequeno agrado para se presentear. 
L'Instant é dessas obras com todo o DNA Guerlain: bela, bem feita, completa. Um oriental morno, almiscarado, aquecido por amêndoas, mel e benjoim. O toque empoado do inconfundível 'guerlinade', que traz conforto e dosa o dulçor com maestria, deixando-o rente à pele. Abre em alguma fruta madura, mas suave - na pirâmide olfativa consta maçã. Maçãs vermelhas lustras e graúdas, daquelas que ao bater na casca fazem um som oco e abafado, meio granulosas, sem nada de acidez. Um corpo de flores brancas melífluas, suaves e amanteigadas. É um elixir de conforto para dias frios, deleite egoísta, que aparece suavemente em um abraço ou um movimento, para ser compartilhado apenas com quem o merece.
Duração longa - cerca de 9 horas, projeção comedida e rente à pele. Perfuma roupas, casacos e echarpes de maneira encantadora, sendo perfeito para dias frios. 

Imagem: guerlain.com

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Eterna primavera - Esta Flor Íris e Esta Flor Rosa de Natura - Resenha dupla

Perfumaria nacional dando as caras novamente. A Natura, por Verônica Kato, traz a tendência 'solinote' em duas construções belas e bem feitas: Esta Flor Íris e Esta Flor Rosa.

O primeiro, uma leitura da mais malandra das flores, a Íris, que pode passar tanto impressão de secura atalcada quanto de umidade de raiz. Aqui, trabalhada no segundo caminho, de leve frescor de natureza, limpeza, banho de riacho, beirando o aroma verde que o mercado brasileiro associa ao universo masculino - avivado com doses patchouli. Uma dose de limão e vetiver são responsáveis por esta face unisex e cristalina, que evoca uma sensação de elegância sutil e otimista. 
O segundo, uma rosa pura e crocante, orvalhada, jovem. A leve doçura de frutas geladas, citrinos brilhantes e pétalas delicadas de flores primaveris: peônias, violetas e amores-perfeitos. Um amanhecer de flores desabrochando, entre botões e caules verdes, evoluindo a um amadeirado leve e confortável. Ambos femininos, mas uma feminilidade segura e tranquila, de quem já aprendeu a apreciar a própria companhia e prioriza agradar a si ao invés de agradar o outro. É um deleite rente à pele, remansado, com projeção muito bem calculada e duração razoável (é classificado como deo-parfum). Belo frasco, belas cores, muito embora o preço - para o contexto nacional - possa assustar.
Imagem: natura.com


Me despedindo, com um empréstimo de Castro Alves, elogio a beleza desta dupla:

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Agora fiquei doce, doce, doce... - Pink Sugar EDT de Aquolina - Resenha

Entre entusiastas e inimigos do frio, fico no segundo time. Sofro demais nessa estação: tesa, encolhida e encasacada, aguardo com paciência para que o Sol volte em sua potência. Porém, nem tudo é tristeza e sofrência, o frio dá a possibilidade de usar o Pink Sugar sem medo. Somente no frio ele revela sua melhor face, que, assim como um bom chocolate quente, no verão perde toda sua delícia e pode se tornar um verdadeiro pavor. 
Aquolina entende de doce - toda linha 'sugar' consegue captar uma face gustativa deliciosamente especial, ora mais cremosa, ora vítrea caramelada, ora chocolate crocante. Pink Sugar tem o aroma da máquina de algodão doce em funcionamento, derretendo o açúcar e construindo um sem fim de fios, um aglomerado de delícia, um caramelo fino, fino, que estica até virar fio e se reunir em nuvem de doçura. Egeo Dolce bebeu dessa fonte, mas adicionou doses enormes de framboesa. Pink Sugar é caramelo puro, inclusive o aroma 'queimadinho', um enfumaçado transparente que mesclado ao doce traz calor e curiosidade. Isso o deixa menos sticky, menos grudento. 
Sua evolução - sim, um doce que evolui, veja só! - o leva para uma cremosidade de doce de leite uruguaio/argentino, bem escurinho, quase bala toffee (o sândalo leitoso o deixa assim) com alcaçuz, na doçura ao estilo Lolita Lempicka, de bengalinhas listradinhas típicas do Natal. Somente no frio esse doce todo faz sentido, traz conforto... então guarde-o para aqueles dias de tempo sisudo, casacos pesados e cachecóis enrolados. 


Imagem: aquolina.it

quinta-feira, 17 de março de 2016

Entre Odile e Odette - Make B Urban Ballet d'O Boticário - Resenha

Pára tudo!!! Recebida a novidade em primeiríssima mão, testada antes mesmo do lançamento oficial nas lojas e no catálogo - a fragrância do inverno 2016 da coleção Make B d'O Boticário. Inspirada em tons rosáceos - do rosa cetim das sapatilhas ao carmim das cortinas teatrais - Urban Ballet é uma coleção voltada ao romantismo feminino, com nuances invernais belas e dramáticas. 
O frasco segue as linhas das sucessivas coleções Make B, o formato de sempre e o cristal Swarovski na cor rosa estão lá, em um tom pálido muito bonito. As fitas, sapatilhas e amarrações típicas dos figurinos das bailarinas e seus coques alinhados, o esforço máximo que resulta em delicadeza de sílfide, compõem o caráter de uma fragrância bem trabalhada, entre o doce e o misterioso.
Como boa parte do portfólio Botica, é uma deocolônia, e descrita como a fusão de flores transparentes e tulipa negra. Levando para o lado sensorial, percebo uma abertura realmente floral, mas algo que remeteu às mimosas - alguém lembra do Tarsila? - com um pouco de néctar de flores, mel do pedúnculo - doce, que em cerca de uma hora evolui para um floral mais soturno, abaunilhado com um toque de especiarias. Às vezes aparecem flashes de uma nota orgânica, meio 'suada', como bailarina em fim de espetáculo. Suada mas ainda delicada, muito viva, ainda quente após todos os grand jettes e arabesques. 



Como Odile e Odette, é um contraponto ente claro/escuro, doçura/mistério, do paradoxo da dor sobre-humana dos pés em sapatilhas rosadas, que faz o humano parecer etéreo e angelical, sem tocar no chão. Tem uma beleza interessante, e sim, é invernal. É equívoco sair com este perfume no calor escaldante - a proposta é aquecer no frio que se aproxima - e assim, não colocar em risco a beleza do ballet urbano.  
Duração: aplicado às 19:00h, às 22:40 ainda permanece, mas muito rente à pele. A projeção é intensa no início, abrandando após cerca de uma hora e meia. 


Imagem: www.boticario.com.br


Degagè un, reverence deux. - Aplausos!


quinta-feira, 10 de março de 2016

Ela não anda, ela desfila - 212 VIP Rosé de Carolina Herrera (EDP) - Resenha

Como eu falei do Jardin de Roses da Mahogany esses dias, vamos falar do 'primo rico' do time das champagnes... 212 VIP Rosé, que como toda criação Carolina Herrera tem um toque de Midas, seja pela qualidade (mas nem sempre) ou pelo marketing massivo e esperto (aí sim, sempre!). 
O Rosé do nome é autoexplicativo: a bebida doce e badalada, das festas VIP e seus camarotes, nomes na lista, carrões, entre belas e bem nascidos - algo entre distinção e ostentação que é a tônica atual da diversão. 
Um ponche de frutas - pêssegos, maçãs, uvas maduras e morangos - mergulhadas em vinho rosado e adocicado. Esperava mais 'fizz', mais borbulhas... e na verdade encontrei mais suco e dulçor de vinho branco de colheita tardia, do que necessariamente a acidez leve da champagne. Mas ainda assim é bom, tem uma presença interessante - um pouco alcoólica, de pilequinho mesmo, naquele momento em que a fala fica arrastada e o riso fácil... - tudo é festa, momento para rir com as amigas, fazer check-in, fotografar e postar. 
Mas vamos falar da base - sim, toda festa tem seu fim. A base é almiscarada/ambarada, mas o medo de pesar a mão e ir parar do floral-frutal para o gourmand acabou deixando a coisa um pouco complicada, afinal, são notas efêmeras, que exigiriam um fundo mais denso para sustentar por mais tempo. E como a proposta é pautada na champagne, acredito que, querendo manter este espírito, foi priorizada a refrescância do que necessariamente a duração, que fica numa média de três horas - exalando muito na primeira. Depois permanece bastante suave, rente à pele.
Don't worry... a chegada triunfal na festa está garantida - divirta-se enquanto durar! Mas cuidado com a ressaca, e, se beber, não dirija! 

Imagem: http://www.carolinaherrera.com/




Este post contém link do parceiro Glio (www.glio.com)

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Pelo espelho - Narciso Rodriguez Essence Eau de Musc EDT - Resenha

"O melhor espelho é um velho amigo" já disse George Herbet. Essence Eau de Musc é um grande amigo. Sabe como chegar, e a hora certa. Não adianta ou atrasa, não faz perguntas inoportunas, e, em dias difíceis fica próximo, e em silêncio, como só um bom amigo sabe fazer, na sabedoria de silenciar. Um almíscar muito limpo, com o aspecto seco da íris, algo levemente empoado, pacífico. É confortável como casaco recém saído da secadora de roupas, como toalha macia. 
O frasco espelhado é uma lindeza, lembra o espelho do banheiro embaçado com o vaporzinho morno pós-banho. Unanimidade no quesito "cheirinho limpo", algo de creme neutro, sabonete...
É a leveza de querer ficar consigo mesmo, num mundinho particular, pois não projeta, é muito rente à pele, com um morninho ambarado leve e aconchegante. Manta e fim de tarde, Netflix and chill.
Uma fragrância adulta, sincera e confortável, office-scent sem medo - não incomoda você e não incomadará a baia ao lado, nem cliente, nem chefe. 
Não espere nada bombástico, apenas um aroma de conforto e cuidado, rente à pele por aproximadamente 4 horas.